Padre prevê que “outro papa” receberá grupo excomungado de volta à Igreja

Integrante da Sociedade de São Pio X disse esperar que um futuro pontífice reabra as portas do Vaticano, como fez Bento XVI/Foto:  Buena Vista Images/Getty Images

A Sociedade de São Pio X (SSPX), grupo católico ultraconservador excomungado na última quinta-feira (2/7) pelo Vaticano, afirmou que acredita ser readmitida na Igreja Católica no futuro, quando houver “outro papa”. A declaração foi feita neste domingo (5/7) pelo padre Georg Kopf, durante uma missa na cidade de Wil, no nordeste da Suíça.

Em sua homilia, Kopf demonstrou confiança de que a ruptura poderá ser revertida. “Um dia haverá outro papa que abrirá as portas e nos receberá de volta. Assim como o papa Bento XVI”, afirmou aos fiéis.

O sacerdote também disse acreditar que um futuro líder da Igreja dará mais espaço às tradições defendidas pelo grupo. “Estou convencido de que haverá outro papa como ele, que devolverá à tradição o lugar que lhe é devido. Claro que gostaríamos que isso acontecesse amanhã”, declarou.

Excomungação

A SSPX foi excomungada depois de ordenar quatro bispos sem a autorização do papa, medida considerada uma das violações mais graves do direito canônico. Segundo o Vaticano, o grupo foi alertado previamente e teve oportunidades de diálogo antes da decisão, mas manteve as ordenações, o que resultou na excomunhão automática.

Mesmo após a punição, Kopf negou que a intenção da sociedade tenha sido romper com a Igreja Católica.

“Nada do que aconteceu em 1º de julho teve a intenção de estabelecer uma igreja paralela ou romper com Roma. Pelo contrário, foi precisamente por amor à Igreja e ao papa que essas ordenações foram realizadas, a fim de zelar pela salvação das almas”, afirmou.

Histórico de conflitos

Fundada em 1970 e sediada na Suíça, a Sociedade de São Pio X reúne seguidores em diferentes países e defende a preservação das práticas tradicionais do catolicismo, como a celebração da missa em latim. O grupo também critica mudanças promovidas pela Igreja nas últimas décadas e rejeita o diálogo formal com outras religiões.

Esta não é a primeira vez que a organização entra em conflito com o Vaticano. No fim da década de 1980, seu fundador, o arcebispo Marcel Lefebvre, consagrou quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II, o que levou à excomunhão dos envolvidos.

Anos depois, em 2009, o papa Bento XVI revogou a punição como parte de uma tentativa de reaproximação entre a Santa Sé e o grupo. Agora, após uma nova excomunhão, integrantes da SSPX voltam a apostar que uma futura mudança no comando da Igreja poderá abrir caminho para uma nova reconciliação.

Fonte: metropoles.com/Giovanna Estrela

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