O Brasil no G7: o que Lula vai buscar no encontro mesmo sem o Brasil fazer parte do grupo
O Brasil no G7 ocorre a convite da França, anfitriã da reunião que reúne algumas das principais economias ocidentais.Foto: Imagem gerada por IA/ND Mais
O Brasil no G7 acontece a convite da França, país anfitrião da cúpula deste ano. Embora não seja membro do grupo, o país participa das discussões em um momento marcado por guerras, tarifas e disputas
O Brasil no G7 voltará a ser realidade nesta semana. Embora o país não integre formalmente o grupo das sete maiores economias industrializadas do Ocidente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará da reunião a convite da França, anfitriã da cúpula deste ano, realizada em Évian-les-Bains, às margens do Lago de Genebra.
A presença brasileira ocorre em um momento particularmente delicado da política internacional. Guerras no Oriente Médio e na Ucrânia seguem sem solução definitiva, as tensões comerciais entre Estados Unidos e diversos parceiros aumentaram nos últimos meses e o governo brasileiro tenta negociar a reversão de novas tarifas anunciadas por Washington.
Nesse contexto, a participação brasileira tem importância que vai muito além do simbolismo diplomático.
O que é o G7 hoje
Criado na década de 1970, o G7 reúne Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. Durante muitos anos, o grupo representou a maior parte da riqueza produzida no planeta e funcionou como uma espécie de diretório informal da economia mundial.
O mundo mudou. China, Índia, Brasil e outras economias emergentes cresceram de forma relevante. Hoje, o G7 já não possui o mesmo peso relativo que possuía há três décadas. Ainda assim, continua sendo um dos principais fóruns de coordenação política, econômica e estratégica do sistema internacional.
Quando os líderes do G7 chegam a consensos, os efeitos costumam ser sentidos muito além das fronteiras dos países-membros.
Por que o Brasil foi convidado
A participação brasileira não é inédita. Desde o retorno de Lula à Presidência, em 2023, o Brasil tem sido convidado regularmente para as reuniões do grupo.
Isso acontece porque, independentemente das divergências políticas entre governos, o país continua sendo uma das maiores economias do mundo, uma potência agrícola, importante fornecedor de alimentos e energia e uma das principais lideranças diplomáticas do chamado Sul Global.
Além disso, temas como segurança alimentar, transição energética, mudanças climáticas e governança internacional dificilmente podem ser discutidos sem a participação brasileira. Na prática, o Brasil não participa das decisões internas do G7, mas tem espaço para apresentar posições e defender interesses próprios.
As guerras devem dominar a reunião
A pauta formal da cúpula é ampla. Mas dificilmente algum assunto superará o peso dos conflitos internacionais em andamento.
O Oriente Médio chega ao encontro em meio à instabilidade provocada pelas tensões envolvendo Estados Unidos, Irã, Israel e Hezbollah. Ao mesmo tempo, a guerra entre Rússia e Ucrânia continua consumindo recursos, gerando impactos econômicos e dividindo prioridades estratégicas entre europeus e americanos.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky também foi convidado para a reunião, numa demonstração de que o conflito continuará ocupando posição central nas discussões.
O fator Trump
Boa parte das atenções estará voltada para Donald Trump. Desde seu retorno à Casa Branca, os Estados Unidos passaram a adotar uma postura mais assertiva em temas comerciais, industriais e estratégicos.
Os recentes aumentos tarifários contra diversos parceiros comerciais, incluindo o Brasil, ampliaram preocupações entre governos aliados e emergentes. A França tenta evitar confrontos públicos durante a cúpula.
Mas a realidade é que boa parte das discussões econômicas passará inevitavelmente pela política comercial americana.
O interesse brasileiro
Para Brasília, a viagem possui um objetivo claro. Manter canais de diálogo abertos. O governo brasileiro sabe que a reversão de medidas tarifárias depende muito mais de negociação política do que de declarações públicas.
Mesmo sem uma reunião bilateral formalmente confirmada entre Lula e Trump, a simples possibilidade de contato entre os dois líderes já é observada com atenção pelo mercado e pelo corpo diplomático.
Além da relação com os Estados Unidos, Lula também terá encontros com lideranças europeias, asiáticas e do Oriente Médio.
O mundo mudou, mas o G7 continua relevante
Existe uma ironia interessante na cúpula deste ano. Ao mesmo tempo em que o G7 perdeu parte de sua centralidade econômica relativa, as crises internacionais recentes aumentaram sua relevância política.
A fragmentação da economia global, as disputas por tecnologia, os conflitos armados e as tensões comerciais fizeram com que fóruns de coordenação voltassem a ganhar importância.
Para o Brasil, participar dessas conversas é uma forma de ampliar influência sem necessariamente fazer parte do grupo. Afinal, em um cenário internacional cada vez mais fragmentado, estar presente na sala onde as discussões acontecem pode ser tão importante quanto sentar-se à mesa principal.
Fonte: ndmais.com.br/joaoalfredo@nyegray.com