31 de julho de 2026
Justiça

Mendonça tira sigilo de investigação contra Jaques Wagner

Jacques Wagner foi intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento, no dia 7 de agostoFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

No documento, tem mensagens interceptadas do senador com o banqueiro Augusto Lima e a esposa Flávia

O ministro do Supremo Tribunal Federal (ST), André Mendonça, quebrou o sigilo e tornou público nesta quinta-feira (30), as invesgitações contra Jaques Wagner (PT-BA). No documento, tem mensagens interceptadas do senador com o banqueiro e ex-sócio do Banco Madter, Augusto Lima e a esposa Flávia.

Segundo investigação da PF, o senador mantém longo e duradouro relacionamento com Augusto Lima e foi beneficiado financeiramente, tendo direito a uso de tpitulo gratuito de aeronaves pertencentes aos donos dos Master, recebimento de ingresso para shows com valores superiores aos sesseta mil reais. A relação dele remonta a meados dos anos de 2019, quando o empresário teria tratado com o senador da República, à época Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia, sobre a privatização da Editora Brasil-América Limitada (EBAL).

A relação de proximidade com o banqueiro e ex-sócio do Banco Maste já tinha sido confirmada pela senador. Na época, em se considerou amigo dele. Entretanto, o parlamentar negou que o vínculo tenha qualquer relação com as investigações da Polícia Federal (PF) sobre o caso Master e afirmou que governadores e prefeitos mantêm contato frequente com empresários.

“Conheci Augusto Lima no processo de privatização [da Cesta do Povo]. Criou-se uma relação. Ele se considera meu amigo. […] A Polícia Federal está construindo uma tese de que essa empresa da minha nora foi construída para me servir. Não tenho nada a ver com a empresa”, disse.

Amigo não, mas criou um relacionamento. Ele se considera meu amigo. Ele sempre olhou pra mim: ‘Pô, você é minha referência’ etc.

Em uma das mensagens, datada de 11 de outubro de 2023, Wagner encaminhou mensagem de áudio a Augusto Lima informando que ele e sua esposa aceitariam convite para uma viagem para Ilha da Paixão e ficarem em um imóvel pertencente ao banqueiro.

Jaques Wagner foi intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento, no dia 7 de agosto, no inquérito que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. O senado, ex-líder do governo Lula no Senado, foi alvo de operação da Polícia Federal (PF). A ação faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master.

Saída da liderança do governo no Senado

A decisão de deixar a liderança do governo ocorreu após reunião com Lula na quarta-feira. Jaques relatou que o presidente o questionou se teria condições de conciliar a defesa jurídica com a rotina do Senado. O parlamentar decidiu se afastar para focar em provar sua inocência e na articulação política para as eleições de 2026 na Bahia.

“Ele (Lula) disse que me conhecia há 48 anos, mas que construíram uma história que eu teria que desmontar e questionou se eu teria cabeça para fazer as duas coisas [a defesa e a liderança]. Então, decidi me afastar”, disse Jaques.

Compliance Zero

A Operação Compliance Zero é uma investigação da PF que busca esclarecer suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. O caso veio à tona no fim de 2025, após indícios de que a instituição teria comercializado produtos financeiros sem garantias compatíveis com o volume captado, oferecendo retornos considerados atípicos para atrair investidores. Na primeira etapa da operação, Vorcaro foi detido, e os investigadores apontaram que as perdas potenciais associadas ao esquema poderiam alcançar a casa dos R$ 12 bilhões.

Desde então, a apuração ganhou novas frentes e passou a examinar possíveis práticas de lavagem de dinheiro, ocultação de ativos, obtenção e uso indevido de informações sigilosas, além de suspeitas de pressão contra adversários e eventuais atos de corrupção. Outro foco das investigações envolve operações financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), incluindo aportes bilionários e a destinação de recursos que teriam beneficiado agentes públicos.

Com o avanço das diligências, a Polícia Federal ampliou o alcance da operação para pessoas próximas ao empresário e autoridades com suposta ligação aos fatos investigados. Entre os nomes citados estão o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que é alvo de apurações sobre possíveis pagamentos relacionados aos interesses do banco, e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), mencionado em investigações sobre a aplicação de recursos do Rioprevidência em fundos associados ao grupo financeiro.

Fonte: jovempan.com.br/Janaína Camelo e Sarah Américo

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