23 de agosto de 2026
Cotidiano

Ministro cogita unir denúncias contra Waldir Neves para marcar julgamento no STJ

Segunda denúncia, por lavagem de dinheiro na compra da “casa de ouro”, será julgada junto com a primeira (Foto: Arquivo)

O ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal Federal, cogita unir as duas ações penais contra o conselheiro Waldir Neves Barbosa, do Tribunal de Contas do Estado, para marcar o julgamento na Corte Especial. O fato foi revelado no ofício encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no qual pede a reconsideração para manter o afastamento e o monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Um dos principais argumentos da defesa do conselheiro é de que ele estava afastado do cargo e usando tornozeleira há dois anos e quatro meses e sem perspectiva da Ação Penal 1.057 ser analisada pela Corte Especial do STJ.

A morosidade do STJ foi um dos pontos destacado por Moraes para conceder o habeas corpus e suspender as medidas cautelares, que também incluiu a revogação de acesso ao prédio do TCE. Ele apontou que negou o pedido no ano passado e, até este mês, o tribunal ainda não decidiu se recebe ou rejeita a denúncia.

O argumento foi rebatido por Falcão. “A análise da justa causa para o recebimento da denúncia ainda não foi objeto de apreciação pela Corte Especial, tendo este subscritor optado por aguardar a apreciação conjunta de ambas as denúncias apresentadas em desfavor do Conselheiro Waldir Neves Barbosa, diante da evidente conexão entre as acusações”, apontou o relator.

A Ação Penal 1.057 é contra 14 pessoas, inclusive o ex-presidente do TCE, conselheiro Iran Coelho das Neves, e inclui a acusação de fraude em licitação, peculato e crime cometido por funcionário público. A outra é por lavagem de dinheiro e ocultação na compra de uma mansão no Jardim dos Estados, que ganhou fama como “casa de ouro”.

O relator ainda frisou que as investigações prosseguem, inclusive sobre venda de sentença envolvendo a Solurb e o poderosíssimo empresário João Amorim. “A despeito do oferecimento de denúncia nos autos da Ação Penal n. 1057/DF, as investigações não se esgotaram, mas prosseguiram, ainda no bojo do Inquérito n. 1.432 /DF, no tocante a outras hipóteses criminais envolvendo o paciente, inclusive com a apreciação e deferimento de novas medidas cautelares investigativas, nos autos da CauInom Crim n. 106/DF, cuja a fase ostensiva foi deflagrada em 10 de julho de 2024, ou seja, há menos de um ano”, pontuou.

“Portanto, entendo que no caso concreto há elementos probatórios veementes que apontam a possível participação do paciente em esquema de corrupção, com fraudes em licitação, pagamento de vantagens indevidas a agentes estatais no seio do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul, envolvendo diretamente o Conselheiro Waldir Neves Barbosa”, concluiu.

O pedido de reconsideração está na mesa do ministro Alexandre de Moraes. Ele também está com o pedido de extensão do habeas corpus feito pelo conselheiro Iran Coelho das Neves.

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *