Corrida ao Senado expõe histórico dos 10 candidatos com o funcionalismo público e reacende memória dos 8 anos de Reinaldo Azambuja em MS
Jornal do Servidor Público expõe atuação dos 10 candidatos referente aos servidores estaduais, tendo como principal vidraça a gestão e as duras reformas do ex-governador
Com o encerramento oficial das convenções partidárias, o cenário eleitoral de Mato Grosso do Sul definiu os 10 candidatos que disputarão as duas cadeiras no Senado Federal nas eleições de 2026. O pleito reúne diversos nomes entre lideranças de classe, representantes do agronegócio, empresários, lideranças indígenas e nomes com forte histórico parlamentar e executivo. Entre eles, a senadora Soraya Thronicke (PSB) é a única a buscar a reeleição, enquanto o senador Nelsinho Trad (PSD) optou por não concorrer com chapa própria, compondo como primeiro suplente do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), conhecido por executar duras reformas contra os servidores públicos estaduais.
É importante ressaltar que Mato Grosso do Sul tem mais de 86,5 mil servidores públicos estaduais, somando trabalhadores ativos, aposentados e pensionistas. Desse total na folha de pagamento do Estado, cerca de 54 mil são ativos e aproximadamente 32,5 mil são inativos (aposentados e pensionistas).
Com a máquina pública e as contas do Estado no centro da pauta, o posicionamento em relação ao funcionalismo público torna-se um dos principais pontos de atrito e diferenciação entre as candidaturas.
Azambuja quer voltar ao cenário político de MS como Senador
O ex-chefe do Executivo Estadual por dois mandatos consecutivos (2015–2022), Reinaldo Azambuja carrega para a disputa a sua trajetória administrativa. Enquanto seus apoiadores defendem a garantia de salários rigorosamente em dia, o equilíbrio das contas públicas e a reestruturação de carreiras concedida ao final de 2022, setores sindicais e entidades representativas relembram medidas amargas que renderam ao ex-governador o título de “inimigo do funcionalismo público”.
O ponto de maior tensão do período ocorreu em 2017, com a aprovação da Reforma da Previdência Estadual (Ageprev), que elevou a alíquota de contribuição dos servidores de 11% para 14% e unificou os fundos previdenciários. A votação gerou protestos históricos, confrontos no Parque dos Poderes e a invasão do plenário da Assembleia Legislativa.
Outros desgastes marcaram os oito anos de sua gestão:
- Política de Abonos (2016–2020): Substituição de reajustes lineares no vencimento-base por abonos provisórios, congelando a evolução real das tabelas salariais.
- A “Lei dos Convocados” (2019): Redução do valor da hora/aula dos professores temporários em relação aos efetivos, deflagrando forte reação da FETEMS e da ACP.
- Impacto da Pandemia e LC 173 (2020): Congelamento de contagem de tempo para quinquênios e reajustes salariais durante a crise sanitária.
Apesar de ter encerrado o mandato em 2022, a memória das reformas previdenciárias e do arrocho salarial no primeiro mandato segue como histórico e prejuízo acumulado na carreira dos servidores públicos até hoje.
Demais candidatos ao Senado
- Vander Loubet (PT): Deputado federal com proximidade ao sindicalismo sul-mato-grossense (especialmente na FETEMS e universidades). Opositor da PEC 32 (Reforma Administrativa federal), defende concursos públicos contínuos, estabilidade integral e cumprimento irrestrito dos pisos salariais nacionais.
- Capitão Contar (PL): Ex-deputado estadual que fez oposição contundente aos projetos do Executivo na Assembleia entre 2019 e 2022. Defende a valorização das forças de segurança, saúde e educação de base, sustentando o corte de cargos em comissão e combate a privilégios políticos. Após disputar eleição contra o sucessor de Azambuja, atual governador Eduardo Riedel e fazer críticas a gestão do Estado, agora faz do grupo de aliados do ex-governador.
- Soraya Thronicke (PSB): Única concorrente à reeleição, manteve no Senado uma postura de diálogo com categorias essenciais, apoiando pautas como o piso nacional da enfermagem e carreiras da segurança, com foco em modernização e capacitação funcional. Depois de ser eleita com apoio da base do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, atualmente faz parte da base petista, do presidente Lula.
- Roberto Oshiro (Novo): Advogado tributarista e dirigente empresarial, foca na perspectiva da eficiência do Estado. Defende a aprovação de reformas administrativas, avaliação de desempenho, digitalização de serviços e redução da máquina pública.
- Beto do Movimento (PSOL/Rede): Liderança dos movimentos populares e da agricultura familiar. Propõe a revogação de reformas previdenciárias que taxam aposentados e pensionistas, além da valorização urgente dos servidores dos níveis operacionais.
- Valderi Garcia (PCO): Liderança indígena Guarani Kaiowá. Defende a ampliação massiva de servidores públicos na ponta, principalmente na saúde indígena (Sesai), educação básica e assistência social, sendo frontalmente contrário a tetos de gastos e privatizações.
- Luiz Lemes (DC): Engenheiro de carreira, pauta a valorização dos quadros técnicos efetivos (engenharia, fiscalização e perícia) nas tomadas de decisão de infraestrutura pública, contrapondo-se a nomeações políticas.
- Sidney Vargas (PRD): Empresário industrial que prega a racionalização de processos no setor público, adoção de metas de produtividade e agilidade nos órgãos ambientais e fiscais.
- Daniel Júnior (Agir): Corretor de imóveis com histórico comunitário, focado na humanização do atendimento na ponta e na desburocratização dos serviços aos cidadãos.
Fórum dos Servidores
Diante do peso eleitoral da categoria dos servidores estaduais, o Fórum dos Servidores Públicos de Mato Grosso do Sul ressalta que acompanhará de perto a postura das candidaturas ao Senado. A entidade representativa irá cobrar e apresentar uma Carta de Compromisso sobre as demandas em comum do funcionalismo público, como reformas que ameacem a estabilidade, pelo fim da cobrança da previdência aos aposentados e pensionistas, pela realização regular de concursos, pela valorização salarial com respeito à data-base e a paridade no repasse patronal à Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul).

Para garantir que as categorias conheçam as reais intenções de cada postulante, a coordenação do Fórum pretende organizar uma rodada de conversa com os candidatos interessados, visando a imparcialidade e isonomia de tempo, sendo focado nas propostas voltadas às carreiras públicas, à sustentabilidade previdenciária e ao fortalecimento de áreas essenciais como saúde, segurança e educação.
O Fórum reforçou seu posicionamento de independência partidária, afirmando que o espaço servirá para confrontar discursos com a realidade orçamentária e separar promessas de campanha dos compromissos concretos com os trabalhadores do Estado.
Fonte: Roberta Cáceres / Jornal Servidor Público MS