Conselho do MPF mantém Gonet no caso Master
Maioria rejeitou afastamento do procurador-geral; conselheiros ainda divergem sobre apuração de sua conduta/Foto: Antonio Augusto/STF
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) formou maioria hoje (25) para manter o procurador-geral da República, Paulo Gonet, nos processos relacionados ao Banco Master. O placar sobre o afastamento chegou a 6 votos a 0, mas ainda restam três votos.
Os conselheiros entenderam que o colegiado não tem competência para analisar eventual impedimento ou suspeição do procurador-geral. Segundo essa interpretação, a questão deve ser examinada pelo próprio Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramitam os procedimentos relacionados ao caso.
A votação, porém, segue em outro ponto. Os integrantes do Conselho estão divididos sobre a possibilidade de designar um subprocurador-geral para realizar uma apuração preliminar sobre a atuação de Gonet.
O placar nesse tema está em 3 a 3. Francisco Sanseverino, Celso de Albuquerque Silva e Alexandre Camanho de Assis votaram contra a designação. Janice Ascari, Samantha Chantal e José Adônis defenderam o prosseguimento da apuração preliminar.
Apuração sobre Gonet
Janice Ascari afirmou que os elementos disponíveis ainda não justificam a abertura imediata de uma investigação criminal contra Gonet. Para ela, porém, existem questões que precisam ser esclarecidas antes de uma decisão definitiva.
Entre os pontos citados estão as tratativas envolvendo uma possível participação de Pedro Gonet, filho do procurador-geral, em um evento em Londres patrocinado pelo Banco Master. A conselheira também mencionou uma ligação que teria ocorrido entre Gonet e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A proposta é que um subprocurador-geral seja designado para analisar inicialmente os fatos e reunir informações. Caso não sejam encontrados elementos de vantagem indevida ou de atendimento a pedidos relacionados às funções de Gonet, o procedimento poderia ser arquivado.

Se surgirem novos indícios, o membro designado poderá instaurar investigação criminal ou adotar outra providência prevista em lei.
Samantha Chantal também defendeu a apuração preliminar. Segundo ela, Gonet deveria ter se afastado da atuação no caso após o surgimento de elementos relacionados a ele próprio e a pessoas de seu círculo.
Fonte: claudiodantas.com.br/Por Mariana Albuquerque