CDL-CG critica Adriane Lopes em manifesto, fala em falha de gestão e fixação por tapa buracos

Em 2022, Adelaido foi secretário municipal de Adriane Lopes (Foto: Divulgação)

Em manifesto de 8 páginas, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande (CDL-CG) se posicionou em tom crítico sobre a falta de infraestrutura viária da Capital, com grande quantidade de buracos nas ruas e seus impactos para a população e a economia. A entidade fez um estudo sobre os impactos da falta de gestão eficiente na infraestrutura.

O documento é assinado pelo presidente da CDL-CG, Adelaido Luiz Spinosa Vila Figueiredo, que já foi secretário municipal na gestão Adriane Lopes (PP), em 2022. Apesar de ser um problema cotidiano da população, poucas vezes as instituições se manifestam sobre os buracos, tão característicos da gestão Adriane Lopes.

“A malha rodoviária urbana dita o custo do frete do supermercado, o tempo de resposta do socorro médico e a integridade física do munícipe. O asfalto destruído representa a falha de gestão mais democrática de uma cidade: ela pune toda a população, independentemente da condição social”, afirma o documento.

O problema escalou este ano, com a Operação Buracos Sem Fim, que escancarou corrupção no serviço de tapa buraco de Campo Grande. Os buracos já causaram mortes, centenas de acidentes e recentemente, um trabalhador capotou o veículo em um buraco. Um prejuízo enorme para quem luta tanto para conquistar um bem material.

“O contribuinte campo-grandense paga duas vezes pelo mesmo erro administrativo: paga o imposto para ter vias seguras (e recebe crateras) e, posteriormente, financia a indenização judicial das vítimas do descaso do próprio Estado”, diz o documento.

Segundo o manifesto, Campo Grande possui mais de 3,3 mil quilômetros de vias públicas, dos quais entre 2,5 mil e 2,7 mil quilômetros são pavimentados. O texto relaciona a precariedade das ruas à crise do transporte coletivo e ao aumento dos custos suportados pela população. De acordo com a CDL-CG, as condições do pavimento reduzem em até 40% a vida útil de componentes dos ônibus e contribuem para o aumento das despesas de manutenção da frota.

A entidade também sustenta que a baixa qualidade do transporte público levou parte da população a adquirir carros e motocicletas para garantir a própria mobilidade, ampliando o número de veículos em circulação e a pressão sobre uma infraestrutura já deteriorada. Para motoristas de aplicativo e entregadores, os gastos extraordinários com manutenção dos veículos teriam consumido entre 20% e 25% do faturamento bruto mensal nos últimos anos.

A CDL-CG também critica a política de manutenção adotada pela Prefeitura, baseada em contratos de tapa-buracos. “A fixação da prefeitura em manter contratos de tapa-buracos paliativos é um erro de engenharia financeira. Quando o asfalto atinge a fadiga total da base, a aplicação de massa asfáltica em buracos isolados funciona apenas como maquiagem temporária. Sem fiscalização rigorosa sobre a qualidade do serviço executado pelas empreiteiras terceirizadas, a água infiltra pelas bordas do remendo nas primeiras chuvas e arranca a massa nova. O modelo consome recursos significativos na casa de R$ 35 milhões a R$ 40 milhões anuais que apenas mitigam o problema temporariamente, sem gerar ativos estruturais duráveis”.

Ao responsabilizar a atual administração municipal pela continuidade dos problemas, o manifesto cita a experiência anterior da prefeita na gestão pública e questiona a baixa utilização da usina de asfalto instalada no Polo Empresarial do Indubrasil, enquanto o município mantém contratos com empresas privadas para serviços de tapa-buracos.

Como alternativas, a CDL-CG apresenta cinco medidas emergenciais: destinação de parte do superávit da Cosip para infraestrutura viária, redução do duodécimo da Câmara Municipal, direcionamento de recursos de multas de trânsito para recuperação das vias, adoção de contratos baseados no desempenho e durabilidade dos serviços e fiscalização mais rigorosa das intervenções realizadas no pavimento pelas concessionárias de serviços públicos.

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres

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