27 de agosto de 2026
Política

Adriane abandona e Conselho Tutelar que atendeu Sophia e Estrelinha fecha ao público

Unidade fechou as portas após meses em situação insustentável (Foto: Divulgação)

Apesar de atuar em casos emblemáticos de violência contra crianças e adolescentes, como os que envolveram as meninas Sophia e Estrelinha, mortas em contexto de abuso sexual e agressão, o Conselho Tutelar da região norte de Campo Grande fechou as portas para atendimento ao público por falta de funcionários.

O caso Sophia, que gerou repercussão nacional, aconteceu em 2023 e três anos depois, ao invés de melhorar a assistência às crianças a situação piorou. O fechamento da unidade é o retrato do descaso que o poder público, principalmente a gestão Adriane Lopes (PP) tratam a infância.

No Conselho Tutelar atuam cinco conselheiros, que no dia a dia devem se empenhar em apurar as denúncias, fazer visitas às residências, manter contato com as famílias, encaminhar casos graves. Para isso, ao menos cinco assistentes administrativos devem fazer o trabalho de base que consiste em atender a população presencial ou por telefone e fazer questões burocráticas.

Na região norte de Campo Grande, a com maior demanda de atendimento, apenas um administrativo trabalha no Conselho Tutelar. A situação levou a atitude extrema, fechar as portas ao público, para conseguir trabalhar.

“Não conseguimos fazer nosso trabalho por ter que fazer o administrativo. Hoje a gente enfrenta ainda mais dificuldade do que tinha na época da Sophia, quando muito se falou que os Conselhos Tutelares precisavam de apoio para trabalhar, mas a situação piorou”, desabafa uma conselheira ao O Jacaré.

Enquanto isso, casal desfila em Marcha para Jesus (Foto: Reprodução)

A prática é bem simples, são em torno de 50 mil crianças precisando ser acompanhadas por cinco conselheiros e um administrativo. É óbvio que é impossível dar atendimento adequado numa situação dessa, mas claramente essa não é uma prioridade da prefeita evangélica, Adriane Lopes.

O caso da região norte é o mais grave, mas não é isolado. Os outros seis vivem em situação similar, com tendência a se agravar. Há dois anos, em 2024, a prefeita inaugurou o Conselho Tutelar Região do Prosa e disse que queria “aumentar a proteção e trazer dignidade, além de resguardar os direitos das famílias mais vulneráveis que precisam de cuidado e de um atendimento humanizado”.

Mas aparentemente a memória de Adriane é fraca. Apesar das conselheiras afirmarem ter acionado a Secretaria Municipal de Assistência Social, comandada pela vice-prefeita Camilla Nascimento de Oliveira, há meses sobre a situação, em nota, a prefeitura diz que “tem conhecimento da suspensão temporária dos serviços de maneira extra oficial”.

“Ressaltamos que nossas equipes estão trabalhando para sanar a demanda com agilidade, por isso a pasta já está em articulação direta com a Secretaria Municipal de Administração e Inovação para recompor o quadro de funcionários administrativos o mais breve possível. Frisamos ainda que há um processo seletivo vigente com o objetivo de completar o quadro de servidores dos Conselhos Tutelares da Capital”, complementa.

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres

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