20 de agosto de 2026
Geral

Um fantasma ronda o STF, o fantasma do conspiracionismo

Por quer conspirar contra o STF, se nada de errado ocorre por lá? Conspirar virou esporte de rico e voltou a ser mania de intelectuais? Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Um fantasma ronda o STF, o fantasma do conspiracionismo, desde que boa parte da sociedade (arrisco dizer a maioria dela) passou a considerar que o tribunal atropela a Constituição para atender a conveniências pessoais de alguns ministros.

É o que diz o jornalista William Waack, lançando foco sobre três ministros, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes:

“O trio Moraes, Dino e Gilmar, que efetivamente trata de se impor na Corte, não entendeu a natureza dessa transformação (da sociedade) e acha que se trata de ‘onda”. Agarra-se a indícios de uma ‘conspiração’ financiada por parentes de banqueiros, que aliciaram ONGs de pouca transparência e formaram com instituições como FGV/SP, Casa das Garças, fundações ligadas a bilionários, o mesmo ‘ecossistema’ que teria alimentado a Lava Jato.”

De acordo com o jornalista, os ministros incluem na tal conspiração “algumas das principais organizações de imprensa, vistas por eles como ‘apparatchik’ na luta contra o STF”.

A existência da paranoia conspiracionista já havia chegado aos meus ouvidos, inclusive este colunista faria parte dela, ao que parece, mas custei a acreditar que a crença dos ministros fosse verdade.

Agora, acredito.

Eu queria entender o que, na suposição dos ministros, levaria essa turma de gente bonita e sincera (os outros, não eu)  a conspirar contra o STF, uma vez que ela está longe de ser composta pela chusma de  bolsonaristas que sonham com golpe militar.

Como os conspiradores se articulariam? Em reuniões secretas em casas bacanas em São Paulo ou no Rio de Janeiro ? Em ilhas paradisíacas de Angra dos Reis? Em big apartamentos no Triangle d’Or de Paris ou no Upper East Side de Nova York?

Mas vamos ao importa: por que conspirar contra o STF, meu Deus, se nada de errado ocorre no tribunal? Seria apenas pelo prazer de desestabilizar a democracia brasileira?

Conspirar virou esporte de rico e voltou a ser mania de intelectuais?

A imprensa, sempre na penúria, teria embarcado na conspiração por dinheiro, e certamente nem foi preciso muito para comprá-la?

O dado mais impressionante é que, se existe mesmo conspiração, seria a a primeira vez no Brasil que gente da alta consegue influenciar tamanha quantidade de cidadãos de tantos segmentos sociais em torno de causa tão distante.

É impressionante: parentes de banqueiros, a FGV paulista e a Casa da Garças conseguiram sugestionar até os motoristas de táxi. “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo”, constatou a ministra Cármen Lúcia, no início do ano.

Felizmente, creem os ministros, trata-se de onda e, portanto, de algo passageiro. Dessa forma, não vou perder tempo para tentar encontrar uma resposta para os motivos da conspiração.

Os ricos e intelectuais logo mudarão de passatempo, como prediz a sua natureza volúvel; os órgãos de imprensa que aderiram à conspiração voltarão a chutar apenas cachorro morto, que é a tarefa à qual os jornalistas deveriam se dedicar sempre; Sua Majestade, o povo, vai reclamar de outra coisa, visto que a reclamação, não importa sobre o quê, lhe é constitutiva.

Tudo de volta ao seu lugar, Moraes, Dino e Mendes não terão com o que se preocupar e o STF poderá seguir altivamente na sua missão civilizadora.

Fonte: metropoles.com/Colunas Mario Sabino

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