6 de agosto de 2026
Artigo

Quem decide o futuro do Serviço Público? O papel dos servidores nos espaços de poder (Por Fabiano Reis)

Quando outros decidem por nós

Existe uma pergunta que poucos servidores fazem: quem decide, de fato, o futuro da nossa categoria?

Todos os anos acompanhamos discussões sobre reposição salarial, revisão geral anual, planos de carreira, concursos públicos, previdência, criação e reestruturação de cargos, orçamento e tantas outras matérias que impactam diretamente a vida do servidor. Mas essas decisões não nascem nos corredores das repartições nem nas assembleias das entidades de classe. Elas são tomadas nas Assembleias Legislativas, na Câmara dos Deputados, no Senado e nos demais espaços de representação política.

Durante muito tempo, os servidores acreditaram que bastava ter entidades representativas fortes. E elas continuam sendo indispensáveis. São elas que organizam a categoria, constroem propostas, promovem o diálogo e defendem os interesses dos servidores. No entanto, existe um limite que nenhuma entidade consegue ultrapassar sozinha. Quando uma mudança depende da aprovação de uma lei, da definição do orçamento público ou da maioria de votos no Parlamento, a decisão passa a ser essencialmente política.

Basta observar a história recente. As principais conquistas dos servidores e também muitos dos direitos que foram reduzidos, modificados ou limitados tiveram origem em decisões legislativas. É nas Casas Legislativas que se definem prioridades, se autorizam despesas e se estabelecem as regras que impactam diretamente a vida funcional de milhares de trabalhadores. Ignorar essa realidade é abrir mão de participar das decisões que moldam o nosso futuro.

Enquanto outras categorias compreenderam a importância de ocupar esses espaços, os servidores, muitas vezes, permaneceram apenas como espectadores. O resultado é que, nos momentos mais importantes, são poucos os parlamentares que conhecem profundamente a realidade do serviço público e que assumem a defesa da categoria como prioridade.

Isso não significa transformar o serviço público em um projeto partidário. Significa compreender que política e partidarismo não são a mesma coisa. Política é participar das decisões que influenciam a vida das pessoas. E, se os servidores não estiverem presentes nesses ambientes, outras pessoas continuarão decidindo por eles.

Nenhum direito permanente nasce apenas da boa vontade de um governo. Direitos são construídos por meio de leis, de orçamento e de decisões políticas. Por isso, além de fortalecer suas entidades representativas, os servidores precisam incentivar a formação de novas lideranças, participar do debate público e ocupar, de forma ética e qualificada, os espaços onde o futuro do serviço público é efetivamente decidido.

A pergunta que fica é simples: queremos continuar apenas acompanhando as votações ou queremos participar delas?

Porque a história mostra uma verdade difícil de contestar: quem não ocupa os espaços de decisão acaba vivendo as decisões tomadas por outros.

  • Fabiano Reis de Oliveira é líder sindical de Mato Grosso do Sul, atuando como presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário do Estado (SINDIJUS-MS). Com forte presença na articulação política e institucional, ele também exerce a função de coordenador-geral do Fórum dos Servidores Públicos de MS, integra o Conselho de Administração da Cassems e atua na Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no estado (CTB-MS). Sua trajetória é marcada por negociações diretas com o Tribunal de Justiça e o governo estadual para assegurar a valorização salarial, a ampliação de direitos e melhores condições de trabalho aos servidores do Judiciário e de todo o funcionalismo estadual. Em reconhecimento à sua liderança nas pautas trabalhistas, da saúde pública e dos direitos das categorias, recebeu homenagens de destaque parlamentar, consolidando-se como uma das principais vozes na defesa do setor público sul-mato-grossense.

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