Prefeita nega informações sobre tapa-buracos e vereadores cogitam a cassação de Adriane
Adriane Lopes, mesmo sendo a mais impopular da história, ignora requerimento da Câmara e não explica por que deixou buracos tomarem conta de ruas e avenidas (Foto: Arquivo)
Com a Capital tomada por buracos em todas as ruas e avenidas, a prefeita Adriane Lopes (PP) negou informações sobre a operação tapa-buracos. Além disso, uma série de escândalos, como reconhecimento de R$ 5,1 milhões de dívida com empresa sem contrato e o repasse de R$ 10,5 milhões para entidade gerida pela cunhada, levou os vereadores a apresentarem pedido de cassação do mandato da chefe do Poder Executivo na Câmara Municipal.
O pedido de cassação será apresentado por Marquinhos Trad (PV) e Jean Ferreira (PT). Eles apresentaram o requerimento cobrando informações sobre a buraqueira que vem causando transtornos aos motoristas e causando acidentes até com mortes na Capital.
“A transparência não é uma escolha do gestor. É uma obrigação prevista na Constituição e na legislação brasileira. Quando um requerimento aprovado pela Câmara deixa de ser respondido, quem perde é toda a população”, afirmou Ferreira.
Marquinhos destacou que o Regimento Interno do legislativo é claro, a prefeita é obrigada a responder requerimento aprovado pelo plenário. Em caso de desobediência, pode até perder o mandato. A sociedade cobra medidas efetivas contra a “buracolândia”. “Tem buraco até na Rua 14 de Julho, na (avenida) Afonso Pena”, lamenta o ex-prefeito, sobre o caos nas ruas e avenidas da cidade.
“O Legislativo não pode ser impedido de fiscalizar. Quando informações públicas deixam de ser prestadas sem justificativa, abre-se um precedente grave para a administração municipal. A população tem direito de saber como cada real do dinheiro público está sendo utilizado”, afirmou o petista.
Além da suposta falta de recursos, os buracos são reflexo da corrupção. O Ministério Público Estadual deflagrou a Operação Buraco Sem Fim no dia 12 de maio deste ano, na qual mirou a Rial Construtora, que era responsável por quatro das sete regiões da cidade e ganhou R$ 113 milhões da gestão Adriane.
De acordo com a investigação, servidores da prefeitura até inventavam buracos para viabilizar o pagamento à empreiteira, que trocou de nome para Força Engenharia. Os envolvidos no esquema estava mais preocupados em garantir a sangria dos cofres públicos do que acabar com os buracos nas vias públicas. Sete foram presos. Eles foram liberados pelo juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal de Campo Grande.
Cunhada e Produserv
Se falta dinheiro para a tapa-buracos, Santa Casa e professores, não faltou para a Fundação Carmem Prudente, gestora do Hospital do Câncer Alfredo Abrão, presidida por Sueli Lopes Telles. Em junho deste ano, a prefeita assinou acordo para repassar R$ 10,5 milhões para a instituição, enquanto o maior hospital do Estado está na iminência de um colapso por falta de acordo com o município.
Outro caso foi o reconhecimento de dívida com a Produserv Serviços, responsável pela limpeza dos postos de saúde e ambulâncias do Samu. O contrato terminou em março, mas a prefeitura mantém o vínculo, apesar das denúncias de não cumprimento de contrato e má prestação de serviço.
Nesta quarta-feira, a prefeitura reconheceu dívida de R$ 2,828 milhões com a Produserv referente ao mês de maio. Ela já havia reconhecido débito de R$ 2,3 milhões com a empresa em abril. É tipo um prêmio para a má prestação do serviço público.
E não é só. Adriane elevou o próprio salário em 66%, de R$ 21,2 mil para R$ 35,4 mil. Mas se nega a conceder reajuste de apenas 5,46% aos professores da rede municipal de ensino. Eles ameaçam entrar em greve e deixar 112 mil estudantes sem aulas porque a prefeita se recusa a cumprir acordo de pagar o piso nacional, como determina a legislação municipal, para jornada de 20h.

Cassação não tem apoio
Dos 29 vereadores, apenas quatro – Marquinhos, Jean Ferreira, Landmark Rios e Luiza Ribeiro, do PT, e Maicon Nogueira (PP) – fazem oposição a prefeita na Câmara Municipal. Para a cassação avançar é preciso o apoio de dois terços.
Aliás, o apoio dado pela Câmara Municipal à atual gestão afundou a popularidade dos vereadores. A atual legislatura também já é considerada a mais impopular da história. Para a maior parte da população, os parlamentares passam a imagem de que não se sensibilizam com o sofrimento do povo, mas apenas em viver as benesses e as mamatas do dinheiro público.

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt