PF diz ser “inverossímil” origem de R$ 135 mil na compra de carro de luxo e terreno por Bastos
Investigação também aponta R$ 276 mil em gastos em espécie durante três anos. (Foto: Arquivo)
No relatório final da Polícia Federal sobre as investigações da Operação Ultima Ratio, a Polícia Federal classifica como “inverossímil” a justificativa do desembargador Alexandre Aguiar Bastos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, sobre o uso de dinheiro vivo na compra de um carro de luxo e terreno no Alphaville, em Campo Grande.
Segundo a PF, Alexandre Bastos também transacionou, no mínimo, R$ 276 mil em dinheiro em espécie nos anos de 2022, 2023 e 2024. Neste período, foram sacados cerca de R$ 57 mil de suas contas, resultando em R$ 219 mil com origem desconhecida.
O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou inconsistências em pagamentos em espécie realizados por Alexandre Bastos no valor total de R$ 135 mil. Deste total, R$ 30 mil foram utilizados como parte da entrada na compra de um Jaguar Epace P250; e os R$ 105 mil restantes para quitar o saldo devedor do terreno no Alphaville.
O carro foi adquirido em 2018 e o terreno, em 2019, sendo escriturado no ano seguinte. A defesa do desembargador, em petição juntada ao inquérito no Superior Tribunal de Justiça, afirma que o período em que as compras foram realizadas descartam a relação com julgamentos suspeitos de ter havido venda de sentenças, pois estes ocorreram em 2021.
Além disso, a defesa relata que o dinheiro utilizado nas transações teve origem em saldos que Alexandre Bastos tinha direito a receber de seu antigo escritório, pelo seu último ano de trabalho como advogado. O valor total recebido foi de R$ 285,5 mil, sendo R$ 142,2 mil pagos em 30 parcelas durante o ano de 2018 por meio de cheques, conforme registrado na Declaração de Ajuste Anual do magistrado.
O delegado Marcos André Araújo Damato, em seu relatório, então esclarece que a explicação apresentada por Alexandre Barros é de que o dinheiro estava na conta bancária do escritório do qual o magistrado fazia parte, foram emitidos 30 cheques entre janeiro e dezembro de 2018, tais cheques foram sacados em espécie, o dinheiro foi guardado por ele e o utilizou para pagamento de R$ 30 mil na compra de um carro e R$ 105 mil na compra de um terreno.
A justificativa não convenceu o delegado, pois gerou uma série de questionamentos sem resposta.
“Tal explicação, a nosso ver, é inverossímil. Se o dinheiro estava em conta bancária, por que foi sacado e entregue ao desembargador? Qual o motivo do fracionamento em 30 cheques ao longo de 12 meses? Por que os cheques não foram depositados na conta do desembargador? Qual a necessidade em comparecer 30 vezes ao banco para sacar cada um desses cheques? Qual a necessidade em retirar o dinheiro da segurança do banco, passando pelo risco do dinheiro ser furtado e pelo constrangimento em entregar e contar fisicamente R$ 30 mil em espécie na compra do carro e R$ 105 mil na compra do terreno?”, indaga a Polícia Federal.
“Portanto entendemos que tudo indica que os R$ 135 mil em espécie utilizados por ALEXANDRE BASTOS, acima citados, são produto de venda de suas decisões como Desembargador”, conclui o delegado.
Alexandre Bastos assumiu seu posto no TJMS na vaga de advogado indicada pela OAB-MS, pelo Quinto Constitucional, em dezembro de 2016. Antes, ele era dono do escritório em que sua filha Camila Bastos trabalha atualmente. A Polícia Federal afirma que o Coaf identificou que o escritório estaria movimentando valores superiores à sua capacidade financeira aparente, tendo recebido valores de diversos órgãos públicos.
Fonte: ojacare.com.br/By Richelieu de Carlo