Obra de Adriane não acaba nunca, empresários contam prejuízos e clamam pela conclusão
Atualmente é impossível entrar ou sair da loja de carro, devido a terra revirada bem em frente. (Foto: O Jacaré)
Há dois anos, Marcos Cacemiro concluía a reforma da sua loja de revenda de veículos na Avenida Ernesto Geisel, no Bairro Marco Roberto, em Campo Grande. Após investimento alto, os planos eram de reduzir o prejuízo com as vendas, mas ele foi surpreendido pelo avanço da obra de contenção de enchentes do córrego Anhanduí, que já duram mais de dois anos, de muita poeira, queda drástica nas vendas e mais prejuízo.
Atualmente é impossível entrar ou sair da loja de carro, devido a terra revirada bem em frente. E como vender carros se não pode tirá-los da garagem? Esse é o desafio que Marcos tenta contornar todo dia, ao mesmo tempo em que sonha com o fim da obra e de todo o transtorno. A equipe de obras também pediu pra não lavar a loja e nem os carros, para não molhar a terra.
O resultado é simples, carros à venda cobertos de poeira, loja suja e zero movimento de clientes. “Esse prédio é novo, tínhamos acabado de construir e agora já tem infiltrações, rachaduras, porque o chão tremida devido a obra. Quando terminar, vou ter que reformar de novo”, conta Marcos.
O prejuízo é tanto que ele nem consegue estimar quanto dinheiro já perdeu nesse tempo. “Só na semana passada eu perdi 8 consignações. A loja vive suja, dos carros que estão aqui dentro, a gente não consegue vender nenhum. Como vai apresentar um veículo para um cliente assim?”, lamenta o empresário.

Para conseguir manter as vendas, ele afirma que faz o que pode, desde parcerias com outras garagens à todo um trabalho com os clientes. “A gente não fechou ainda porque o prédio é próprio, se fosse alugado a gente já tinha abandonado faz tempo. Essa obra está atrapalhando demais a gente”, diz.
Marcos não é o único. Diversos comércios da região enfrentam dificuldades financeiras, fora os que já fecharam. Do outro lado da rua Bom Sucesso, onde não há obra, também há impactos financeiros. O aposentado Marcílio Severino, 79, conta que tem um espaço para alugar, mas que está vazio há dois anos por conta da obra.
“Eu aluguei, mas logo começou a obra e com dois meses o inquilino entregou o prédio. Agora está vazio e esse dinheiro faz falta pra gente que vive de aposentadoria”, diz o idoso, que lembra que desde que os netos nasceram a avenida Ernesto Geisel passa por obras. “Tem mais de 15 anos isso”.

Quando termina?
No entanto que recebeu R$ 20,9 milhões, do Ministério do Desenvolvimento Regional, começou em 2024, com previsão de terminar em 2025. Este ano, o contrato foi prorrogado e a nova previsão é de que a obra termine em agosto de 2026.
A responsável pela obra é a HF Engenharia e Construção, que já recebeu R$ 1,5 milhão em aditivos. O contrato agora custa R$ 22,5 milhões. A prefeitura de Campo Grande atribui a demora à chuva, já que o avanço da obra depende do tempo seco.
Essa é a segunda etapa de obra, que além do muro de contenção em gabião, inclui recapeamento da Avenida Ernesto Geisel, nova sinalização viária e instalação de guarda-corpo no trecho em execução, que ocorre no sentido Avenida Manoel da Costa Lima/Avenida Afonso Pena.

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres