MPF acompanha conflitos agrários envolvendo comunidades indígenas no interior de Mato Grosso do Sul
O Ministério Público Federal (MPF) passou a acompanhar de perto os desdobramentos dos recentes conflitos por terras entre comunidades indígenas e proprietários rurais no interior de Mato Grosso do Sul. O foco das atenções está voltado para as imediações da Aldeia Limão Verde e da Fazenda Limoeiro, no município de Amambai, além de registros de ocupações na região de Sidrolândia.
A intervenção do órgão ocorre após episódios de tensão entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta-feira, quando famílias das etnias Guarani e Kaiowá ocuparam uma área da Fazenda Limoeiro, situada às margens da rodovia MS-156. A comunidade alega que a propriedade rural se sobrepõe ao território tradicional conhecido como Tekoha Tapykora Korá, integrante da Terra Indígena Iguatemipeguá II. O processo de delimitação e identificação dessa área (RCID) está em fase de elaboração pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desde 2008.
Poucas horas após a ocupação da fazenda, a Polícia Militar realizou a retirada dos indígenas do local. Diante do ocorrido, o MPF manifestou, em publicação oficial no seu diário eletrônico, preocupação em relação à legalidade de ações de despejo conduzidas pelas forças policiais estaduais sem a devida ordem judicial expressa, alertando também para os riscos à integridade física e à segurança da comunidade local.
O órgão ministerial segue monitorando a situação para garantir o cumprimento da lei e evitar a escalada da violência agrária nas regiões afetadas pelas disputas de demarcação.
Com informações de Correio do Estado.