11 de outubro de 2026
PolíticaSaúde

Moto da Saúde percorreu 244 vezes a distância entre a terra e a lua, aponta devassa

Devassa no contrato de combustível entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Taurus Card (S.H. Informática) apontou que cinco veículos percorreram entre 2,5 milhões e 94,1 milhões de quilômetros. Uma motociclista de 250 cilindradas percorreu a distância equivalente a 244 vezes a distância entre a terra e a lua, que é de 384.400 quilômetros.

As irregularidades fazem parte da auditoria feita pelo Conselho Municipal de Saúde nos gastos com combustíveis da gestão Adriane Lopes (PP) entre outubro do ano passado e junho deste ano. Foram analisadas 28.008 transações de 428 veículos da Sesau.

A conclusão é estarrecedora ao revelar que não há controle nenhum sobre o abastecimento, que custou R$ 21,8 milhões aos cofres públicos no período. Ou pode ser indício de algo mais grave, a ser apurado pelo GECOC (Grupo Especial de Combate à Corrupção) ou Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), principalmente no momento que falta dinheiro para comprar dipirona, um remédio que nunca faltou nas unidades de saúde por ser barato.

“Foram identificadas 120 transações, envolvendo 81 veículos distintos, com salto de hodômetro superior a 50.000 km entre um abastecimento e o abastecimento imediatamente anterior do mesmo veículo — fisicamente incompatível com o uso normal de uma frota municipal entre datas próximas”, apontou o relatório.

Isso significa que entre um abastecimento e outro, ambulâncias e veículos da Saúde percorreram distância equivalente a ir e voltar de São Paulo 25 vezes. No relatório, o conselho já deixou claro que é “fisicamente incompatível” percorrer tal distância em curto espaço de tempo. Geralmente, uma viagem de ida a capital paulista demora de 11 a 13 horas.

Viagens à lua

Na devassa, o Conselho Municipal de Saúde identificou, pelo menos, cinco veículos percorreram uma distância de milhares de quilômetros. “O padrão — valores ‘atuais’ que parecem ser o hodômetro anterior com um dígito extra inserido (por exemplo, 296.714 → 2.968.240) — se repete em veículos específicos ao longo de vários meses (as placas SLX4H01 e SLX1F37 aparecem cada uma em 4 ocorrências distintas), o que é mais consistente com falha sistemática de captura/digitação no sistema de gerenciamento do que com um erro isolado, mas não pode ser afirmado com certeza sem manifestação da contratada/SESAU sobre a causa”, pondera.

Uma motocicleta Yamaha XTZ 250, conforme o hodômetro de fevereiro deste ano, saltou de 16.777 para 94.136.475 quilômetros. A diferença é de 94.119.698 Km, o equivalente a 244 viagens entre a terra e a lua. Caso fosse percorrer os 4.150 quilômetros de ruas pavimentadas e não pavimentadas do perímetro urbano de Campo Grande, a moto faria 22.679 viagens – para cumprir o percurso em um ano seria necessária percorrer toda a cidade 62 vezes por dia.

Outros quatro veículos são caminhonete Toyota Hilux. O hodômetro de uma saltou de 296.714 para 2.968.240. Isso representa que teria percorrido 2.671.526 quilômetros, o equivalente a quase sete viagens até a lua. Outra foi mais longe, percorreu 3.210.151 km – oito viagens entre a terra e a lua.

As irregularidades se somam a outras reveladas pelo O Jacaré, como o uso do cartão de abastecimento de 13 servidores da inativa ou aposentados. Ainda houve abastecimento de R$ 400 mil de cinco veículos inservíveis, encostados e destinados para leilão, conhecidos como sucatas.

Secretário de Saúde, Marcelo Vilela, Adriane Lopes, e a madrinha, Tereza Cristina (Foto: Arquivo)

Sesau promete apurar denúncia

Em nota enviado para O Jacaré, por meio da assessoria de imprensa, o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, prometeu abertura de sindicância e “apuração rigorosa das circunstâncias”. A Pasta reforça que atua com responsabilidade e transparência e que, caso sejam constatadas eventuais irregularidades, adotará todas as providências cabíveis, conforme a legislação e os procedimentos administrativos vigentes.

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt

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