Eleições 2026: Nem carta-compromisso e nem plenária, Fórum dos Servidores alerta para análise do histórico do candidato na hora de votar
Mobilização rejeita promessas eleitoreiras, resgata estudos sobre baixo cumprimento de planos de governo e orienta eleitores a consultarem fontes oficiais
Faltando apenas 2 dias para as eleições de 2026, onde serão eleitos os deputados federais, estaduais, senadores, governadores e presidente para os próximos 4 anos, o Fórum dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso do Sul ressalta que neste pleito eleitoral adotou uma nova postura: nem cartas-compromisso, nem a realização de plenárias com postulantes a cargos públicos. A decisão atende a inúmeras mensagens enviadas pela própria base de servidores, que cobraram da entidade para que não realizasse encontros formais nem elaborasse pautas com as reivindicações das categorias, justamente para impedir que candidatos usem a imagem e a credibilidade do funcionalismo público como instrumento eleitoreiro atrelado a promessas vazias.
Com isso, o Fórum decidiu não mais organizar reuniões políticas formais ou redigir pautas de intenções, alertando que esses mecanismos passaram a funcionar frequentemente como expedientes de conveniência eleitoral, utilizados para vincular a imagem da categoria a candidaturas sem qualquer garantia de execução prática após o encerramento do pleito.
A descrença do funcionalismo é baseada em levantamentos sobre a efetivação de compromissos eleitorais no Brasil. Levantamentos consolidados de monitoramento político, a exemplo do projeto Promessas dos Políticos do G1 (https://g1.globo.com/politica/promessas-dos-politicos), revelam que gestores do Executivo entregam apenas uma fração do que asseguram no palanque: em levantamentos nacionais, governadores chegam à metade do mandato tendo cumprido integralmente entre 18% e 26% de suas propostas, e prefeitos das capitais encerram quatro anos com menos da metade (cerca de 45%) dos compromissos totalmente executados.
O coordenador-geral do Fórum dos Servidores, Fabiano Reis de Oliveira, exemplifica: “A experiência nos mostra que assinar carta-compromisso ou fazer plenária serve apenas de palco para o candidato. Ele comparece, faz discursos de aproximação, tira fotos para passar credibilidade à sua campanha perante a sociedade e, assim que senta na cadeira de comando, a realidade muda: o diálogo é sumariamente cortado”.

E complementa: “Em muitos casos, o governo passa a usar o próprio funcionalismo como escudo para tentar legitimar administrações que impõem arrocho e retrocessos. A credibilidade de um governante não se mede pela quantidade de papéis assinados em campanha, mas pela coerência e pelas atitudes práticas demonstradas no exercício do mandato“, ressaltou Fabiano.
O ceticismo dos servidores estaduais apoia-se em exemplos recentes da política sul-mato-grossense, sendo o caso do atual governador Eduardo Riedel. Durante a campanha de 2022, em plenária organizada pelo próprio Fórum dos Servidores no dia 7 de outubro daquele ano, Riedel recebeu em mãos um ofício com as reivindicações coletivas e garantiu que manteria um diálogo franco, transparente e direto, assegurando que receberia pessoalmente os servidores públicos estaduais.

Meses antes, em 1º de julho de 2022, em entrevista ao programa Conexão Pública MS, o então pré-candidato havia enfatizado: “O diálogo permanente é o melhor caminho para a gente buscar soluções. Eu não me furto porque fiz isso durante seis anos como secretário de governo, não é porque serei o governador que vou deixar de fazer, mantenho essa minha posição clara, aqui, junto aos servidores”, disse na época.
Contudo, ao longo dos últimos anos, o Fórum dos Servidores — que reúne associações e sindicatos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário — protocolou sucessivos ofícios solicitando audiências e a abertura de interlocução, sem obter avanço nas tratativas. O governador tem recebido apenas representantes da sua base de apoio político.

Em 2022, Riedel esteve no Fórum reafirmando mais uma promessa vazia
Uma das pautas defendidas pelo Fórum, que atinge grande parte dos servidores públicos, é a reforma da previdência estadual de 2020. A alteração legal aumentou a alíquota de contribuição de 11% para 14% e rebaixou drasticamente a base de cálculo para aposentados e pensionistas: se antes o desconto incidia apenas sobre o que excedia o teto do Regime Geral (INSS), a cobrança passou a ocorrer sobre valores acima do salário mínimo. A mudança atingiu em cheio os aposentados, que viram seu orçamento comprometido até para despesas de saúde básica e alimentação.
Perdas acumuladas
Além do impasse previdenciário, os servidores estaduais carregam um passivo de quase 40% de defasagem remuneratória — conforme levantamentos técnicos do DIEESE — acumulada nos últimos 12 anos, após reposições abaixo da inflação e até mesmo reajuste zero na gestão do ex-governador Reinaldo Azambuja.
O quadro de desmonte inclui ainda concursos públicos que não saíram do papel, concursados aprovados sem convocação para posse, avanço de propostas de terceirização nas carreiras essenciais e o abandono de promessas históricas como o retorno da jornada de seis horas.
Alerta
Diante do histórico de compromissos não honrados, o Fórum dos Servidores reforça que a escolha nas urnas não deve se pautar pela propaganda eleitoral ou por promessas de ocasião, mas pela análise criteriosa das votações e do comportamento de cada candidato. Para realizar essa consulta, os eleitores podem recorrer a fontes públicas de checagem:
- Planos de Governo Oficiais: As diretrizes e compromissos formais de concorrentes a cargos majoritários ficam disponíveis para consulta no portal oficial DivulgaCandContas do TSE, mantido pela Justiça Eleitoral.
- Histórico de Votações Legislativas: O posicionamento de deputados e senadores em projetos sobre previdência, estabilidade e serviços públicos pode ser auditado diretamente nos portais de transparência da Assembleia Legislativa estadual e no sistema de proposições da Câmara dos Deputados.

Para o funcionalismo público de Mato Grosso do Sul, a mensagem é categórica: o futuro das carreiras e das famílias dos servidores exige memória política ativa — e quem votou contra direitos ou se recusou a dialogar com a categoria não deve receber voto de confiança
Fonte: Roberta Cáceres, Jornal Servidor Público MS | Fotos: Reprodução e Roberta Cáceres