Diretor do Banco Genial e executivo ligado ao Master entram na mira da Carbono Oculto em esquema de mais de R$ 120 milhões
A investigação mira uma estrutura financeira ligada à compra de uma distribuidora de combustíveis/Foto: Terrana/Reprodução/Divulgação
Operação Carbono Oculto cumpre mandados em sete estados e investiga estruturas financeiras usadas para ocultar patrimônio e recursos na compra de uma distribuidora de combustíveis
O diretor do Banco Genial Humberto Arthur Tupinambá Neto e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, ligado às investigações sobre o Banco Master, estão entre os alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24).
A ação investiga uma estrutura financeira que teria sido utilizada para ocultar patrimônio e viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
Quem são os alvos ligados ao Banco Genial e ao Master
Humberto Arthur Tupinambá Neto é executivo do Banco Genial e está entre os principais alvos das buscas desta fase da operação. Os irmãos dele, André Tupinambá e Bruno Tupinambá, também aparecem entre os alvos.

Antonio Carlos Freixo Junior está entre os alvos da nova fase da Operação Carbono OcultoFoto: Divulgação/ND Mais
O outro nome que chama atenção na operação é o do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ele é dono da Entre Investimentos e está ligado às investigações envolvendo o Banco Master.
Segundo informações da investigação da Polícia Federal divulgadas nesta quinta-feira, a empresa de Freixo teria sido utilizada para repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Operação Carbono Oculto investiga compra de distribuidora
A nova etapa é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e reúne o GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPSP, a Receita Federal, a Secretaria da Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado, a Polícia Militar e a Polícia Civil. Também participam os GAECOs do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo.
O objetivo, segundo o MPSP, é descobrir como estruturas financeiras e societárias teriam sido utilizadas para ocultar os verdadeiros responsáveis pelo controle de uma empresa sucroalcooleira e, posteriormente, para viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país, a Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.

A investigação apura a aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como TerranaFoto: Terrana/Reprodução/ND Mais
A investigação aponta que diferentes estruturas foram sobrepostas em duas etapas. Primeiro, para esconder os reais proprietários de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo. Depois, para utilizar essa estrutura na aquisição da distribuidora.
Como a estrutura investigada teria funcionado
Segundo o MPSP, a usina estava registrada oficialmente em nome de diferentes fundos de investimento e empresas que, à primeira vista, não tinham relação entre si. Para os investigadores, porém, essa divisão teria sido criada para esconder quem realmente controlava a empresa.
Um dos pontos que chamou a atenção na investigação foi uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões envolvendo valores que a usina tinha para receber. De acordo com o MPSP, uma empresa ligada ao grupo comprou esses direitos usando cotas de um fundo de investimento.
A análise do dinheiro mostrou que uma parte importante dos recursos usados nessa compra teria vindo de outros fundos controlados pelo próprio grupo investigado.
Na prática, segundo os investigadores, o dinheiro teria circulado entre empresas e fundos ligados aos mesmos envolvidos antes de voltar para a própria estrutura. Para o MPSP, esse caminho teria ajudado a dar uma aparência normal à operação e dificultado descobrir quem realmente estava por trás do negócio.
R$ 100 milhões teriam sido usados para financiar a aquisição
Segundo o MPSP, R$ 100 milhões teriam sido destinados à aquisição da distribuidoraFoto: depositphotos.com / rmcarvalhobsb
Depois de usar a usina na primeira etapa da operação, os investigadores identificaram outra movimentação que teria relação com a compra da distribuidora de combustíveis. Segundo o MPSP, R$ 100 milhões foram enviados para a conta da usina com o objetivo de financiar a aquisição.
Antes de chegar ao destino, porém, o dinheiro teria passado por contas de três empresas do grupo em fintechs. De acordo com os investigadores, essas contas eram usadas apenas para receber e repassar os valores.
Depois, os R$ 100 milhões foram colocados em um novo fundo de investimento criado especificamente para a operação. A partir daí, o dinheiro teria seguido por uma série de operações financeiras até chegar às empresas que, segundo a investigação, seriam usadas para esconder os verdadeiros responsáveis pela compra da distribuidora.
Uma dessas etapas envolveu um CDBV (Certificado de Depósito Bancário Vinculado). De forma simplificada, o fundo investiu o dinheiro em um CDB de um banco. Em seguida, o banco realizou outra operação financeira ligada a esse investimento e liberou crédito para duas empresas de fachada apontadas pela investigação.
Segundo o MPSP, essas empresas teriam sido usadas para criar mais uma camada entre o dinheiro e seus verdadeiros beneficiários, dificultando descobrir quem estava por trás da aquisição da distribuidora de combustíveis.
Fundos imobiliários também aparecem na investigação
A investigação também aponta o uso de fundos imobiliários para afastar os imóveis da propriedade direta dos investigados. Segundo o MPSP, os bens foram transferidos para empresas e, depois, para fundos. Assim, eles continuariam sob o controle econômico do grupo, mas não apareceriam diretamente em seu patrimônio.
De acordo com os investigadores, diferentes empresas e fundos teriam funções específicas dentro da estrutura. Algumas empresas movimentavam o dinheiro, outras faziam as compras e os fundos eram usados para receber ou aplicar os recursos.
Empresa movimentou R$ 11,6 bilhões
Um dos dados que chama atenção na investigação é a movimentação de cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025 por uma empresa financeira envolvida na estrutura.
Segundo o MPSP, o valor, somado às demais evidências, reforça os indícios de que a estrutura teria sido usada para esconder patrimônio, dificultar a identificação da origem do dinheiro e ocultar quem estava por trás dos negócios.
A terceira fase da Operação Carbono Oculto busca esclarecer como essas empresas e fundos foram usados na aquisição da distribuidora de combustíveis e quem seriam os responsáveis pelos recursos envolvidos.
Fonte: ndmais.com.br