Classificação de PCC e CV como terroristas vira munição na eleição em SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Fernando Haddad (PT)  • Mônica Andrade/Governo do Estado de SP e Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Aliados de Tarcísio veem ação de Flávio como positiva para o governador

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas passou a integrar o debate eleitoral em São Paulo, principal reduto do PCC e maior colégio eleitoral brasileiro.

O governador e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comemorou a medida anunciada pelo governo americano e associou a decisão ao endurecimento do combate ao crime organizado.

À CNNTarcísio afirmou que a classificação representa “uma vitória no combate contra o crime organizado” e que a medida “abre as portas para uma importante cooperação internacional”.

Nas redes sociais, o governador adotou tom ainda mais incisivo.

“PCC e CV não são facções: são terroristas armados contra o povo brasileiro e com atuação além das nossas fronteiras. Quem domina territórios, impõe toque de recolher, mata inocentes e desafia o Estado pratica terror. O Brasil não pode mais ser refém de bandido. Terrorista tem que estar atrás das grades, sem relativização. Parabéns ao senador Flávio Bolsonaro pela articulação firme e necessária”, escreveu.

A manifestação ocorre em meio a uma pré-campanha na qual o tema da segurança pública tem ocupado espaço central nos discursos do governador.

Aliados de Tarcísio afirmam que o combate ao crime organizado deverá ser um dos principais ativos da campanha à reeleição. Integrantes do entorno do governador avaliam que adversários tendem a explorar a criminalidade como um dos pontos de vulnerabilidade da gestão estadual.

Por outro lado, o grupo político de Tarcísio pretende destacar indicadores de redução de roubos e furtos registrados durante o governo, além das ações na região da Cracolândia, apontadas por aliados como um dos principais símbolos do enfrentamento ao PCC na capital paulista.

Um aliado do governador ouvido pela CNN sob reserva afirmou que a proximidade entre Tarcísio e o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, também tende a produzir dividendos eleitorais após a articulação que antecedeu a decisão americana.

O tema também foi explorado por Guilherme Derrite (PP), pré-candidato ao Senado e ex-secretário da Segurança Pública de São Paulo.

“PCC e CV são terroristas. Ponto. A decisão dos EUA reconhece aquilo que milhões de brasileiros já sabem na prática. Parabéns ao senador Flávio Bolsonaro pela articulação. O combate ao crime organizado exige firmeza e cooperação internacional”, publicou.

Do outro lado da disputa política, nem o pré-candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT) nem o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestaram até o momento sobre a decisão anunciada pelos Estados Unidos. Procurado pela CNN, Haddad não retornou.

Em ocasiões anteriores, porém, integrantes do governo federal e aliados do presidente criticaram a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. O argumento apresentado é que PCC e Comando Vermelho são grupos criminosos voltados ao lucro e ao tráfico de drogas, sem motivação política ou ideológica, característica normalmente associada ao terrorismo.

A divergência evidencia uma das linhas de confronto que devem marcar a eleição paulista de 2026. Enquanto aliados de Tarcísio defendem uma abordagem mais dura contra as facções e celebram o enquadramento adotado pelos Estados Unidos, setores ligados ao PT têm sustentado que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio dos instrumentos já previstos na legislação penal e de enfrentamento às organizações criminosas.

A classificação anunciada pelos Estados Unidos entra em vigor nos próximos dias e amplia a possibilidade de sanções financeiras e bloqueio de ativos relacionados às facções.

Fonte: cnnbrasil.com.br/Vinícius Murad, da CNN Brasil

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