Cesta básica ultrapassa R$ 800 em Campo Grande e corrói poder de compra do funcionalismo público
Índice geral disparada em itens essenciais como tomate e batata e inflação acumulada de alimentos de até 69% pressionam os salários dos servidores sul-mato-grossenses
O custo de vida na capital de Mato Grosso do Sul continua impondo um cenário desafiador para o funcionalismo público estadual e municipal. Segundo levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a cesta básica em Campo Grande atingiu a marca de R$ 806,56 em setembro de 2026.
Embora o dado médio mensal aponte uma variação tímida de 0,18% em relação a agosto, o detalhamento dos preços revela que o alívio no bolso é apenas aparente. Para o servidor público de MS — categoria que lida com arrocho salarial frente à recomposição inflacionária anual de 3,81% concedida pelo Executivo —, a escalada em produtos de consumo indispensável no prato da família representa uma corrosão direta da renda líquida.
Alimentos básicos com altas de dois dígitos
A leitura atenta dos números desmistifica a ideia de estabilidade nos supermercados e feiras da Capital. O conjunto de alimentos foi fortemente impulsionado por altas expressivas no mês de setembro:
- Tomate: disparou 19,40% na variação mensal e acumula expressivos 39,53% no ano.
- Batata: salto de 13,10% em relação a agosto, com inflação acumulada de 33,33% em 2026 e impactantes 69,47% em 12 meses.
- Arroz agulhinha: subiu 4,77% no mês e acumula elevação de 9,75% no ano.
- Óleo de soja: aumento mensal de 1,70%.
- Pão francês: alta de 1,10% em setembro e 1,89% no acumulado do ano.
Outro fator que pesa na despensa é o feijão carioquinha. Apesar da retração mensal pontual (-3,46%), o grão acumula um aumento severo de 27,81% nos últimos 12 meses e 27,43% em 2026, mantendo o custo da refeição tradicional em patamar historicamente elevado.
Quedas pontuais registradas no leite integral (-4,28%), carne bovina (-2,47%) e açúcar (-0,35%) funcionaram como “maquiagem estatística” no índice geral de setembro, mas não foram suficientes para devolver o fôlego orçamentário ao trabalhador.

Salário mínimo x Realidade da mesa
A cesta campo-grandense figura entre as mais caras da região Centro-Oeste e do país. Em termos comparativos, o trabalhador que recebe o piso nacional (R$ 1.621,00) em Campo Grande precisa comprometer 53,79% do salário mínimo líquido (sem somar o desconto da Previdência e Imposto de Renda) apenas para garantir os gêneros alimentícios individuais.
Isso equivale a uma jornada de 109 horas e 28 minutos dedicada exclusivamente à alimentação básica.
Nacionalmente, o DIEESE estimou que o salário mínimo ideal para cobrir os preceitos constitucionais — moradia, alimentação, saúde, educação, transporte e previdência para uma família de quatro pessoas — deveria ser de R$ 7.750,01, ou seja, 4,78 vezes o piso vigente.
Fonte: Roberta Cáceres / Jornal do Servidor Público MS
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