28 de agosto de 2026
Política

Candidatos aliados do PL evitam figura tóxica de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro – Tarcísio de FreitasCrédito: Tarcísio de Freitas/Pablo Jacob /Governo do Estado de SP/Flávio Bolsonaro/Jefferson Rudy/Agência Senado

Presidenciável do PL é ignorado ou deixado em segundo plano no primeiro programa eleitoral por aliados nacionais e por quem fez coligação puramente regional

247 – A estreia da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão nos estados revelará uma forte resistência e limitação à imagem do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), inclusive entre políticos que disputam o cargo de governador com o respaldo direto de sua legenda, segundo o jornal O Globo. Dos 22 postulantes aos governos estaduais que contam com o PL em suas coligações, apenas seis confirmaram a intenção de exibir imagens, fazer menções diretas ou pedir votos para o parlamentar já no primeiro programa de TV.

A ausência da figura do presidenciável na largada do horário eleitoral reúne situações políticas distintas. A lista abrange desde candidatos que fecharam acordos com o PL estritamente no âmbito regional e não fazem campanha para Flávio — casos de Ciro Gomes (PSDB), no Ceará, ACM Neto (União Brasil), na Bahia, e JHC (PSDB), em Alagoas — até aliados nacionais do senador que optaram por não incluí-lo na primeira peça publicitária, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O desafio de converter alianças regionais em palanque nacional

O quadro expõe o desafio da campanha de Flávio Bolsonaro para converter a capilaridade e a força partidária do PL em apoio efetivo e espaço de propaganda para a corrida ao Palácio do Planalto. A sigla montou uma ampla rede de alianças nos estados, incluindo políticos que não pertencem ao campo bolsonarista e que, em diversos locais, não apoiam o senador para presidente. Por isso, integrar uma coligação sustentada pelo PL não se traduz em dividir com o presidenciável o tempo de televisão local.

Essa divisão fica evidente no Ceará, na Bahia e em Alagoas. Ciro Gomes, ACM Neto e JHC não pretendem colocar Flávio em seus programas de estreia e tampouco atuam em sua campanha. Aliados envolvidos nas negociações ressaltam que os entendimentos com o PL foram construídos em torno das disputas estaduais e não incluíram compromisso de apoio na eleição presidencial. No Ceará, a equipe de Ciro Gomes afirma que a separação será total: o primeiro programa não fará referência a Flávio nem a qualquer outro concorrente à Presidência, reforçando que o ex-ministro está “100% focado no Ceará”.

Estratégias em São Paulo e no Rio de Janeiro

Mesmo entre aliados próximos, a opção na abertura do horário eleitoral foi o adiamento da imagem nacional. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas, que participa ativamente da estratégia nacional do presidenciável, não o levará ao primeiro programa. A decisão indica que até mesmo os palanques mais alinhados preferem usar a estreia para apresentar a candidatura estadual antes de intensificar a associação política nacional.

No Rio de Janeiro, o candidato apoiado por Flávio, Douglas Ruas (PL), adotará uma linha semelhante. Embora pretenda explorar essa aliança ao longo da campanha, Flávio aparecerá apenas em uma fotografia no programa de estreia. A coordenação da campanha optou por utilizar os pouco mais de dois minutos disponíveis para apresentar a trajetória de Ruas, ainda pouco conhecido pelo eleitorado fluminense.

Auxiliares de Ruas avaliam que a associação com Flávio será importante para identificá-lo como o representante do bolsonarismo no estado, mas ressaltam que é necessário construir uma imagem própria antes. A previsão é que o presidenciável passe a ganhar espaço a partir do programa de quarta-feira. Na peça de estreia, Ruas narra sua história desde a infância em São Gonçalo, destacando sua atuação na Polícia Militar e na gestão pública, contrapondo o “Rio do cartão-postal” ao “Rio Real” da periferia, da Baixada Fluminense e do interior.

A nacionalização da disputa fluminense aparecerá de forma indireta no primeiro dia. Sem citar Flávio Bolsonaro nem o presidente Lula (PT) nominalmente, o programa de Ruas exibirá uma fotografia de Lula ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), seu principal adversário, iniciando a associação do rival com o petista enquanto reserva a entrada explícita do senador para os dias seguintes.

Quem vai mostrar o presidenciável do PL

Entre os postulantes que confirmaram a exibição de Flávio Bolsonaro na estreia, a intensidade do apoio varia:

  • Eduardo Riedel (PSD-MS): O governador de Mato Grosso do Sul informou que fará pedido explícito de voto para o presidenciável.
  • Tião Bocalom (PSDB-AC): No Acre, o candidato confirmou a presença do senador, ressaltando sua forte identificação ideológica com Jair Bolsonaro.
  • Jorginho Mello (PL-SC): O governador de Santa Catarina fará menções e referências ao senador no seu programa.
  • Sergio Moro (PL-PR): No Paraná, Moro escolheu usar a aproximação para indicar uma reconciliação entre alas da direita.

A peça da campanha de Sergio Moro usará a aliança para sinalizar paz entre grupos que já protagonizaram conflitos políticos recentes:

“No Paraná, duas forças conservadoras de direita estão unidas e em paz: lavajatistas e bolsonaristas” — Sergio Moro, candidato ao governo do Paraná

Outras treze campanhas apoiadas pelo PL não haviam informado, até a véspera da estreia, se pretendiam exibir a imagem de Flávio Bolsonaro: Dr. Furlan (PSD-AP), Maria do Carmo (PL-AM), Marcos Rogério (PL-RO), Arthur Henrique (PL-RR), Efraim Filho (PL-PB), Joel Rodrigues (PP-PI), Álvaro Dias (PL-RN), Ricardo Marques (PL-SE), Celina Leão (PP-DF), Wellington Fagundes (PL-MT), Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES), Flávio Roscoe (PL-MG) e Zucco (PL-RS).

Espaço reduzido também na disputa pelo Senado

A presença limitada de Flávio Bolsonaro se repete entre os candidatos ao Senado Federal que contam com seu apoio. Nomes de destaque na política nacional, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), no Distrito Federal, e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP), em Alagoas, também não devem citar o presidenciável no primeiro programa eleitoral.

Diferentemente do que ocorre nas campanhas para os governos estaduais, as escolhas na disputa senatorial sofrem impacto direto do tempo de propaganda na TV, que é substancialmente menor, reduzindo o espaço disponível para associações com postulantes à Presidência da República.

Fonte: brasil247.com/Conteúdo postado por Guilherme Levorato

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *