Apesar de ruas escuras e corrupção, taxa de iluminação pública é a mais cara do País

Parque da cidade sem iluminação (Foto: Arquivo)

O valor pago pela iluminação pública por cada morador da Capital chegou a R$ 206,24 em 2024, a maior contribuição per capita do país. Com isso, a arrecadação da prefeitura de Campo Grande subiu 22,9% chegando a R$ 196,8 milhões em 2024. Mesmo assim, muitos bairros da Capital estão no escuro.

Os dados são da Plataforma Multi Cidades, que expõem as finanças dos municípios brasileiros, e mostra que Campo Grande é uma das sete cidades onde a arrecadação com a Cosip (Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública) tiveram grande crescimento em 2024.

Em 2024, Campo Grande arrecadou bem mais do que as capitais vizinhas, Goiânia (R$ 98,4 milhões) e Cuiabá (R$ 97,2 milhões), mas também faturou mais que cidades como Porto Alegre (R$ 77,2 milhões) e Curitiba (R$ 154 milhões).

Para se ter ideia, a taxa média paga de iluminação pública nas capitais é de R$ 87,9. Ou seja, o valor médio pago pelo campo-grandense, R$ 206,24, é mais que o dobro da média. Em Florianópolis (SC), o valor pago é metade, R$ 111,64, do desembolsado pelo campo-grandense.

Os gaúchos possuem ainda mais sorte, pagam apenas R$ 55,58, enquanto a gestão de Adriane Lopes cobra taxa de iluminação pública 271% mais cara. Em Curitiba (PR), o valor pago também é menos da metade, R$ 84,27. Em Cuiabá, do estado vizinho, o valor é de R$ 142,45 – o sul-mato-grossense paga 44% mais caro.

Arrecadação com iluminação pública em Campo Grande (Foto: Reprodução)

A Cosip é um imposto municipal, isso significa que é a prefeitura quem estabelece e usa o recurso. Em Campo Grande, a alta considerável na arrecadação não impediu problemas com a iluminação pública em vários bairros e até no centro.

As reclamações da população diante da falta de iluminação pública têm se espalhado e levado vereadores a cobrarem a manutenção adequada da prefeita Adriane Lopes (PP). Entidades do comércio, como CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) também fizeram uma campanha de cobrança por melhorias na iluminação da região central.

As reclamações vão de norte a sul da cidade, por falta de lâmpadas nos postes e completa escuridão durante a noite. Na última semana, o vereador Carlão (PSB) ressaltou que falta gestão da prefeitura para resolver o problema, já que recurso tem.

Apagar das Luzes

Em dezembro do ano passado, o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), braço do MPE (Ministério Público Estadual), deflagou a operação Apagar das Luzes

As investigações apontaram reiteradas fraudes nos processos licitatórios e contratos firmados para a execução do serviço de manutenção do sistema de iluminação pública de Campo Grande. Já foi identificado superfaturamento superior a R$ 62 milhões.

Levantamentos também trouxeram à tona o envolvimento das empresas contratadas com servidores públicos da Capital. A investigação atinge contratos em vigência, firmados em 2024 e objeto de aditivos.

Em 2022, conforme divulgado pelo jornal Correio do Estado, o morador de Campo Grande era um dos que mais pagava por iluminação pública no Brasil. Naquele ano, cada morador da Capital desembolsou R$ 160,30 para custear o serviço.

A prefeita e o marido, Lídio Lopes: taxa de iluminação cara e sem retorno para a população (Foto: Arquivo)

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres

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