Apenas oito vereadores apoiam CPI para apurar desvio de R$ 156 mi e morte de crianças em UPA

Marquinhos, Jean (autor), Luiza, André, Fábio, Maicon, Flávio e Landmark apoiam a investigação para identificar as causas da crise na saúde e tentar substituir os escândalos por ações que salvam vidas

Somente oito dos 29 vereadores de Campo Grande apoiam a criação de Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o desvio de R$ 156,8 milhões na saúde, a falta de remédios nos postos de saúde, não utilização de ambulâncias novas do SAMU e a morte de crianças nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). A maioria opta pela omissão para livrar a gestão de Adriane Lopes (PP) de desgaste político.

A proposta da CPI para investigar a saúde foi proposta pelo vereador Jean Ferreira (PT). Até o momento, mais sete parlamentares – André Salineiro (PL), Fábio Rocha (União Brasil), Flávio Cabo Almi (PSDB), Maicon Nogueira (PP), Luiza Ribeiro e Landmark Rios, do PT – assinaram o requerimento.

Para o requerimento ser protocolado é necessário a adesão de um terço do legislativo – 10 vereadores. E ainda precisará do aval do “vereador sem voto”, o procurador geral da Câmara Municipal, Luiz Gustavo Araújo Martins Lazzari.

Só que a investigação vem esbarrando na primeira exigência apesar do caos e do escândalo na rede municipal de saúde. A falta de remédios e materiais para exames nos postos de saúde é um problema desde meados de 2024, quando Adriane chegou a acusar um servidor de boicote. Dois anos após a reeleição, o problema não só continua, como ficou pior.

Para complicar, duas crianças morreram após perambularam pelas UPAs diante da precariedade no atendimento.

Escândalos, falta de remédios e ambulâncias paradas

“A presente proposição busca garantir o dever constitucional de fiscalização e controle dos atos do Poder Executivo Municipal, especialmente quanto à gestão dos recursos públicos destinados à saúde. Nos últimos meses, multiplicaram-se as denúncias e notícias sobre irregularidades na aplicação de verbas do Fundo Municipal de Saúde, falta de medicamentos e insumos, superlotação das UPAs e problemas na contratualização com a Santa Casa”, apontou Jean Ferreira.

“A criação desta CPI não se destina a perseguir gestores, mas a cumprir o papel fiscalizador inerente ao Poder Legislativo, apurando com profundidade eventuais falhas administrativas ou desvio de finalidade. Diante da gravidade e relevância dos fatos, a instauração desta CPI constitui medida necessária à proteção do interesse público e ao fortalecimento do controle democrático sobre a aplicação dos recursos públicos”, justificou-se.

E a situação de Campo Grande escandaliza até os mais devotos seguidores de Adriane Lopes. O Conselho Municipal de Saúde denunciou o desvio de R$ 156,8 milhões. O Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Estadual abriram procedimento para investigar a ilegalidade.

A Produserv recebeu uma fortuna dos cofres públicos mesmo não cumprindo o contrato de limpeza dos postos de saúde. Conforme vistoria realizada pelo Conselho Municipal de Saúde, a empresa não cumpria o contrato e ainda comprova produtos  de outra, que pertence ao ex-vereador Airton Saraíva, condenado por improbidade administrativa na Operação Coffee Break.

Ambulâncias novinhas enviadas pelo Ministério da Saúde para o SAMU ficaram encostadas enquanto a prefeitura pagava locação para uma empresa de Minas Gerais. A Santa Casa está operando em colapso, com falta de medicamentos e insumos até para atender pacientes internados em estado grave. Cirurgias foram suspensas por falta de produtos.

O MPE apontou ainda que a prefeitura deu calote de R$ 197 milhões nos fornecedores, inclusive de medicamentos, o que explica a falta dos remédios nas unidades básicas de saúde.

Enquanto a população paga caro pela incompetência, desvios e precariedade, a Câmara Municipal mais uma vez, inclusive os vereadores que falam em nome de Deus, da pátria e da família.

Enquanto a população paga caro pela incompetência, desvios e precariedade, a Câmara Municipal mais uma vez, inclusive os vereadores que falam em nome de Deus, da pátria e da família.

Situação da Santa Casa é um dos pontos a serem apurados pela CPI: hospital chegou a suspender cirurgias e foi à polícia para alertar para o risco de morte de pacientes por falta de medicamentos e insumos (Foto: Arquivo)

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *