Adriane elevou em 71% valor pago à Produserv e empresa já ganhou R$ 154 mi para limpar postos
Sede da Produserv na Vila Alba, uma residência simples e sem mostrar estrutura de quem recebe R$ 36 milhões por ano só da prefeitura (Foto O Jacaré)
Contratada em abril de 2020 para fazer a limpeza das unidades de saúde de Campo Grande, a Produserv Serviços recebeu em seis anos, 79% mais do que estabelecia o contrato inicial, graças a 13 aditivos dados pela prefeitura. Somente na gestão Adriane Lopes (PP), o contrato com a empresa teve sete aditivos e recebeu 71% a mais.
Levantamento feito pelo O Jacaré com base na transparência municipal, mostra que entre 2020 e 2025 a Produserv recebeu R$ 154.148.717,94, somente em 2025 o valor pago pela prefeitura à empresa foi de R$ 36,7 milhões. Mas o contrato inicial estabelecia o pagamento de R$ 17,1 milhões ao ano.
A Produserv foi beneficiada pela Covid-19 com o aumento de locais que atendimento aos pacientes da pandemia e com isso, recebeu acréscimos temporários de valores. Mas chama a atenção a quantidade de aditivos ao contrato. De abril de 2020 a março de 2022 foram cinco ativos.
Porém, de março de 2022 até dezembro de 2025, período de gestão da prefeita Adriane Lopes, a empresa recebeu 7 aditivos ao contrato inicial. Também foi beneficiada com os pagamentos em dia, visto que a prefeitura acumula dívidas com fornecedores e pagamentos atrasados que somam mais de R$ 2 milhões em 2025.
Mas não é só isso. Além de receber valores milionários, a Produserv é acusada de não cumprir com o contrato, deixando faltar itens básicos de limpeza nas unidades de saúde e manter quadro defasado de profissionais de limpeza.

O Conselho Municipal de Saúde acusa a empresa de deixar de fornecer 83 funcionários nos postos de saúde, causando prejuízo de R$ 3,2 milhões aos cofres públicos. E apesar da saúde exigir limpeza para evitar a proliferação de bactérias, vírus e doenças, a prestadora de serviços não cumpre o contrato.
“Os checklists registram falta ou insuficiência de papel higiênico, papel toalha, sabonete líquido, desinfetante, álcool, produtos de limpeza e sacos de lixo. Profissionais relataram demora mínima de cerca de 15 dias para reposição. Esse prazo é incompatível com o estoque mínimo de 30 dias previsto no edital e com a natureza contínua de unidade de saúde”, apontou o relatório assinado pelo coordenador da mesa diretora do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos.
Exemplo clássico
As irregularidades encontradas no contrato da prefeitura de Campo Grande com a Produserv, como o aumento exponencial do valor por meio dos aditivos, o descumprimento do contrato e a falta de fiscalização e penalização, são clássicas da relação terceirizada.
A Produserv é responsável pela limpeza de unidades de saúde de Campo Grande, mas ganha muito e não sobre nenhuma penalidade por descumprir o contrato. É um exemplo clássico e denunciado rotineiramente pelo Conselho Municipal de Saúde, onde a prefeitura não consegue fiscalizar, abrindo brecha para corrupção.
Outra situação é relacionada as relações imorais que a empresa terceirizada pode firmar. A Produserv mesmo tem entre os fornecedores, a empresa de um ex-vereador de Campo Grande, condenado por improbidade administrativa.
O Jacaré procurou Adriane Lopes e a prefeitura, mas não houve retorno até o momento.
Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres