16 de agosto de 2026
Polícia

Corrida ao Senado expõe histórico dos 10 candidatos com o funcionalismo público e reacende memória dos 8 anos de Reinaldo Azambuja em MS

Jornal do Servidor Público expõe atuação dos 10 candidatos referente aos servidores estaduais, tendo como principal vidraça a gestão e as duras reformas do ex-governador

Com o encerramento oficial das convenções partidárias, o cenário eleitoral de Mato Grosso do Sul definiu os 10 candidatos que disputarão as duas cadeiras no Senado Federal nas eleições de 2026. O pleito reúne diversos nomes entre lideranças de classe, representantes do agronegócio, empresários, lideranças indígenas e nomes com forte histórico parlamentar e executivo. Entre eles, a senadora Soraya Thronicke (PSB) é a única a buscar a reeleição, enquanto o senador Nelsinho Trad (PSD) optou por não concorrer com chapa própria, compondo como primeiro suplente do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), conhecido por executar duras reformas contra os servidores públicos estaduais.

É importante ressaltar que Mato Grosso do Sul tem mais de 86,5 mil servidores públicos estaduais, somando trabalhadores ativos, aposentados e pensionistas. Desse total na folha de pagamento do Estado, cerca de 54 mil são ativos e aproximadamente 32,5 mil são inativos (aposentados e pensionistas).

Com a máquina pública e as contas do Estado no centro da pauta, o posicionamento em relação ao funcionalismo público torna-se um dos principais pontos de atrito e diferenciação entre as candidaturas.

Azambuja quer voltar ao cenário político de MS como Senador

O ex-chefe do Executivo Estadual por dois mandatos consecutivos (2015–2022), Reinaldo Azambuja carrega para a disputa a sua trajetória administrativa. Enquanto seus apoiadores defendem a garantia de salários rigorosamente em dia, o equilíbrio das contas públicas e a reestruturação de carreiras concedida ao final de 2022, setores sindicais e entidades representativas relembram medidas amargas que renderam ao ex-governador o título de “inimigo do funcionalismo público”.

O ponto de maior tensão do período ocorreu em 2017, com a aprovação da Reforma da Previdência Estadual (Ageprev), que elevou a alíquota de contribuição dos servidores de 11% para 14% e unificou os fundos previdenciários. A votação gerou protestos históricos, confrontos no Parque dos Poderes e a invasão do plenário da Assembleia Legislativa.

Outros desgastes marcaram os oito anos de sua gestão:

  • Política de Abonos (2016–2020): Substituição de reajustes lineares no vencimento-base por abonos provisórios, congelando a evolução real das tabelas salariais.
  • A “Lei dos Convocados” (2019): Redução do valor da hora/aula dos professores temporários em relação aos efetivos, deflagrando forte reação da FETEMS e da ACP.
  • Impacto da Pandemia e LC 173 (2020): Congelamento de contagem de tempo para quinquênios e reajustes salariais durante a crise sanitária.

Apesar de ter encerrado o mandato em 2022, a memória das reformas previdenciárias e do arrocho salarial no primeiro mandato segue como histórico e prejuízo acumulado na carreira dos servidores públicos até hoje.

Demais candidatos ao Senado

  • Vander Loubet (PT): Deputado federal com proximidade ao sindicalismo sul-mato-grossense (especialmente na FETEMS e universidades). Opositor da PEC 32 (Reforma Administrativa federal), defende concursos públicos contínuos, estabilidade integral e cumprimento irrestrito dos pisos salariais nacionais.
  • Capitão Contar (PL): Ex-deputado estadual que fez oposição contundente aos projetos do Executivo na Assembleia entre 2019 e 2022. Defende a valorização das forças de segurança, saúde e educação de base, sustentando o corte de cargos em comissão e combate a privilégios políticos. Após disputar eleição contra o sucessor de Azambuja, atual governador Eduardo Riedel e fazer críticas a gestão do Estado, agora faz do grupo de aliados do ex-governador.
  • Soraya Thronicke (PSB): Única concorrente à reeleição, manteve no Senado uma postura de diálogo com categorias essenciais, apoiando pautas como o piso nacional da enfermagem e carreiras da segurança, com foco em modernização e capacitação funcional. Depois de ser eleita com apoio da base do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, atualmente faz parte da base petista, do presidente Lula.
  • Roberto Oshiro (Novo): Advogado tributarista e dirigente empresarial, foca na perspectiva da eficiência do Estado. Defende a aprovação de reformas administrativas, avaliação de desempenho, digitalização de serviços e redução da máquina pública.
  • Beto do Movimento (PSOL/Rede): Liderança dos movimentos populares e da agricultura familiar. Propõe a revogação de reformas previdenciárias que taxam aposentados e pensionistas, além da valorização urgente dos servidores dos níveis operacionais.
  • Valderi Garcia (PCO): Liderança indígena Guarani Kaiowá. Defende a ampliação massiva de servidores públicos na ponta, principalmente na saúde indígena (Sesai), educação básica e assistência social, sendo frontalmente contrário a tetos de gastos e privatizações.
  • Luiz Lemes (DC): Engenheiro de carreira, pauta a valorização dos quadros técnicos efetivos (engenharia, fiscalização e perícia) nas tomadas de decisão de infraestrutura pública, contrapondo-se a nomeações políticas.
  • Sidney Vargas (PRD): Empresário industrial que prega a racionalização de processos no setor público, adoção de metas de produtividade e agilidade nos órgãos ambientais e fiscais.
  • Daniel Júnior (Agir): Corretor de imóveis com histórico comunitário, focado na humanização do atendimento na ponta e na desburocratização dos serviços aos cidadãos.

Fórum dos Servidores

Diante do peso eleitoral da categoria dos servidores estaduais, o Fórum dos Servidores Públicos de Mato Grosso do Sul ressalta que acompanhará de perto a postura das candidaturas ao Senado. A entidade representativa irá cobrar e apresentar uma Carta de Compromisso sobre as demandas em comum do funcionalismo público, como reformas que ameacem a estabilidade, pelo fim da cobrança da previdência aos aposentados e pensionistas, pela realização regular de concursos, pela valorização salarial com respeito à data-base e a paridade no repasse patronal à Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul).

Parte da coordenação doFórum dos Servidores Públicos em reunião

Para garantir que as categorias conheçam as reais intenções de cada postulante, a coordenação do Fórum pretende organizar uma rodada de conversa com os candidatos interessados, visando a imparcialidade e isonomia de tempo, sendo focado nas propostas voltadas às carreiras públicas, à sustentabilidade previdenciária e ao fortalecimento de áreas essenciais como saúde, segurança e educação.

O Fórum reforçou seu posicionamento de independência partidária, afirmando que o espaço servirá para confrontar discursos com a realidade orçamentária e separar promessas de campanha dos compromissos concretos com os trabalhadores do Estado.

Fonte: Roberta Cáceres / Jornal Servidor Público MS

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