Ataque maciço russo deixa catedral histórica de Kiev em chamas

De acordo com informações divulgadas pelas Forças Armadas ucranianas, a Rússia disparou um total de 70 mísseis e 611 drones durante a noite/Foto: Reprodução/X

Um ataque maciço com mísseis e drones lançados pela Rússia contra o território ucraniano na madrugada desta segunda-feira (15/6) causou a morte de pelo menos nove pessoas em todo o país, incluindo quatro na capital, Kiev.

De acordo com informações divulgadas pelas Forças Armadas ucranianas, a Rússia disparou um total de 70 mísseis e 611 drones durante a noite, dos quais os sistemas de defesa aérea do país conseguiram abater 50 mísseis e 582 drones de diversos tipos.

Além das perdas humanas, a ofensiva danificou gravemente a Catedral da Dormição (foto em destaque), localizada no complexo monástico de Pechersk Lavra, um Patrimônio Mundial da Unesco e um dos locais religiosos e culturais mais importantes da Ucrânia. O bombardeio forçou os moradores a buscarem refúgio em abrigos subterrâneos enquanto fortes explosões ecoavam por toda a cidade.

A destruição também alcançou o patrimônio histórico e artístico da capital. O estúdio nacional de cinema Oleksandr Dovzhenko, que abriga a maior e mais antiga coleção de figurinos da Ucrânia, foi outro ponto severamente atingido pelas explosões.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, repudiou veementemente a ação e descreveu o ataque à catedral como “um dos crimes mais graves da Rússia contra a cultura cristã até hoje”.

Diante da gravidade da situação, o mandatário instou os líderes do G7, reunidos em cúpula na França, a aumentarem a pressão política e econômica sobre Moscou. Zelenskyy enfatizou a necessidade urgente de uma resposta “decisiva e substancial”, cobrando mais apoio para a defesa aérea da Ucrânia, com foco especial na capacidade antibalística.

Em contrapartida, o governo russo negou categoricamente ter alvejado o templo religioso, alegando que a Catedral da Dormição teria sido atingida, na verdade, por um míssil de defesa aérea Patriot, de fabricação americana, que teria desviado.

No entanto, a versão russa foi publicamente contestada nas primeiras horas da manhã, quando agentes de segurança do Estado ucraniano foram vistos sobre os destroços de dois drones de fabricação iraniana Shahed, localizados justamente na área externa do complexo de Pechersk Lavra.

Reação imediata

A reação diplomática ao bombardeio foi imediata e severa. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, declarou na rede social X que o país “iniciará urgentemente” procedimentos junto à Unesco e a outros mecanismos internacionais para garantir “respostas imediatas e adequadas a essa barbárie de Estado”.

A comunidade internacional também manifestou solidariedade; o Ministério das Relações Exteriores da França comparou a gravidade do ataque em Pechersk Lavra a um eventual atentado contra a icônica Catedral de Notre Dame, com o chanceler Jean-Noël Barrot afirmando que o episódio demonstra a extensão da “crueldade” russa.

Apesar do cenário de devastação, o sentimento de resistência marcou o início do dia na capital ucraniana. Ao amanhecer, enquanto o complexo monástico ainda ardia em chamas e as equipes de emergência trabalhavam para conter o fogo, os funcionários do local tocaram os sinos do mosteiro em um claro gesto de desafio e resiliência contra as forças invasoras.

O novo escalonamento da violência ocorre em um momento de intensas movimentações diplomáticas nos bastidores.

Nesse domingo, véspera do ataque massivo, o presidente Zelenskyy revelou ter conversado diretamente com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os esforços em andamento para tentar pôr fim ao conflito, que já se estende por mais de quatro anos e continua a cobrar um alto preço em vidas e patrimônio histórico.

Fonte: metropoles.com/Carlos Estênio Brasilino

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