Com caos na saúde e milhares na fila, Justiça vira única esperança e bloqueia R$ 13 mi na Capital
Adriane Lopes, Marcelo Vilela e Tereza Cristina anunciaram R$ 60 milhões federais para a saúde(Foto: Elias Campos/PMCG)
A prestação de contas da Secretaria Municipal de Saúde referente ao primeiro quadrimestre de 2026 foi quase completamente ‘mecânica’, com o titular da pasta, Marcelo Vilela, apenas citando números a cada nova tela de apresentação com uma pequena explicação formal. Um dos poucos momentos em que houve um comentário mais natural foi ao falar sobre a Judicialização.
“É um negócio que nos pega”, desabafou Vilela. A prefeitura teve R$ 12,92 milhões bloqueados entre janeiro e abril deste ano para atender pacientes que tiveram de recorrer à Justiça para realizar procedimentos ou garantir insumos e medicamentos. A esmagadora maioria, 60,6%, é para quem precisa de alguma cirurgia; e 21,2%, homecare. O restante é dividido em diversas necessidades.
A Sesau prevê R$ 3,722 bilhões de receitas passíveis de aplicação em todo ano. Deste total, R$ 879,985 milhões foram empenhados, ou seja, estão comprometidos com despesas. É bom destacar que a captação de recursos da saúde é tripartite, contando com verba federal, estadual, e municipal.
Os quase R$ 13 milhões sequestrados judicialmente fazem falta para uma gestão onde não faltam problemas para resolver. Segundo Marcelo Vilela, o principal desafio atualmente tem sido a aquisição dos insumos hospitalares. O secretário também reconheceu não ter dinheiro para revitalizar todos os postos de saúde.
“As estruturas estão sucateadas, mas a gente não tem orçamento para a recuperação da totalidade”, disse Vilela, em uma de suas poucas interações com os vereadores durante a audiência nesta segunda-feira (25). O cenário da falta de medicamentos é tratado como em melhor situação em relação há meses atrás, ainda afetando principalmente os remédios psiquiátricos.
Além disso, não foi abordado, durante a audiência, o desvio de R$ 156 milhões do Fundo Municipal de Saúde, conforme denúncia feita pelo Conselho Municipal de Saúde. O Ministério Público Estadual também aponta que a gestão de Adriane Lopes (PP) deu calote de R$ 197,6 milhões nos fornecedores de medicamentos, insumos e materiais hospitalares.
R$ 60 milhões e 24 mil procedimentos
A audiência de prestação de contas foi realizada pouco depois da prefeita Adriane Lopes e Marcelo Vilela anunciarem o programa “Vira CG Saúde”, que promete a execução de 24 mil procedimentos com o aporte de R$ 60 milhões de recursos federais.
De acordo com a prefeitura, já estão pactuados 8.460 procedimentos cirúrgicos e outros 16.855 exames e diagnósticos especializados.
Entre os procedimentos cirúrgicos contemplados estão cirurgias ortopédicas, oftalmológicas, bariátricas, urológicas, cirurgias gerais, de coluna, pediátricas, de cabeça e pescoço, oncologia ortopédica, vasculares, otorrinolaringológicas, além de laqueaduras, mamoplastias e procedimentos para endometriose profunda.
Na área de exames e diagnósticos especializados, o programa inclui ressonância magnética, tomografia, colonoscopia, endoscopia, radiografias, espirometria, biópsia de próstata, EEG com mapeamento e avaliação neuropsicológica.
“Ocorreu melhora nos serviços. Nossas pactuações estão sendo realizadas e estamos atendendo com a equipe técnica e fazendo saúde pública. Melhoramos a contratualização dos hospitais que nos apoiam, como Santa Casa, Pênfigo e São Julião. O grande desafio é o subfinanciamento. Mesmo com o orçamento, não conseguimos suprir todas as necessidades da secretaria”, declarou Marcelo Vilela na prestação de contas.
Fonte: ojacare.com.br/By Richelieu de Carlo