6 de outubro de 2026
Economia

‘Sou empresário e defendo o fim da escala 6×1’: Dono da Multilaser, empresa com 5 mil funcionários, diz que trabalhador merece 2 dias de folga na era da IA

Alexandre Ostrowiecki defende dois dias de descanso por semana e relaciona a mudança ao avanço da inteligência artificialFoto: Reprodução/ND Mais

Alexandre Ostrowiecki, presidente do conselho da Multilaser, defende o fim da escala 6×1 e diz que custo da mudança vale pela qualidade de vida

O presidente do conselho da Multilaser, defende o fim da escala 6×1 e dois dias de descanso por semana. A empresa tem cerca de 5 mil funcionários.

Para ele, é inaceitável continuar com a jornada atual na era da IA. Alexandre diz que a mudança terá um custo, mas não prevê demissões em massa, nem um grande aumento de preços.

O empresário diz que a economia já se adaptou a outras reduções de jornada em outros momentos da história. Para ele, o custo dessa mudança é menor que o ganho na qualidade de vida do trabalhador.

Ostrowiecki também critica o chamado “custo Brasil”, a burocracia, os impostos sobre o consumo e os juros elevados. “Quem se preocupa com a competitividade do país deveria começar cortando os privilégios do Estado, não o descanso do trabalhador”, afirma.

Críticas ao gasto público e escala 6×1

Há cerca de 15 anos, Alexandre ajudou a fundar o Ranking dos Políticos, site de orientação que reúne perfis de congressistas. Apesar da preocupação com as contas públicas, ele afirma que fala apenas por si.

funcionários da multilaser que quer liberar o fim da escala 6x1O dono da Multilaser afirma que o fim da escala 6×1 teria custo, mas não prevê demissões em massaFoto: Multilaser/Reprodução/ND Mais

Para 2027, espera que o próximo governo enfrente o crescimento automático dos gastos públicos. Defende reforma administrativa, desvinculação de despesas e revisão de privilégios, incluindo supersalários e penduricalhos.

Casas Bahia e consumidor

A Multilaser está entre os maiores fornecedores das Casas Bahia, que pediu recuperação judicial no mês passado. Ostrowiecki diz que o impacto é moderado: R$ 31 milhões provisionados, pouco mais de 2% da carteira de recebíveis, conforme fato relevante. A empresa usa seguro de crédito na maior parte das vendas.

Ele afirma que o consumidor está “no limite”. Segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio), 82% das famílias têm dívidas a vencer. A Serasa registrou quase 84 milhões de pessoas negativadas em agosto, recorde da série histórica.

A Multilaser responde com disciplina de crédito, seguro nas vendas, controle de recebíveis, diversificação dos canais e produtos mais acessíveis. Para Ostrowiecki, porém, “não existe engenharia comercial que compense juro de agiota por muito tempo”.

multilaser que quer liberar o fim da escala 6x1Com cerca de 5 mil funcionários, a Multilaser está no centro da declaração de seu presidente do conselhoFoto: Multilaser/Reprodução/ND Mais

Crítica à “taxa das blusinhas”

O empresário também critica a lei que eliminou o imposto de importação para remessas de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas” e sancionada por Luiz Inácio

Ele cita o exemplo de uma peça de roupa: uma fábrica no Ceará paga cerca de 30% do preço em impostos federais, enquanto uma fábrica de Shenzhen, na China, pode vender diretamente ao Brasil sem esse imposto federal. Ele ainda compara juros industriais de cerca de 15% no Brasil com cerca de 3% na China.

A própria lei determina que o governo avalie os efeitos sobre emprego, indústria e arrecadação a cada seis meses. A Multilaser, que tem fábrica em Manaus, defende uma redução geral dos impostos sobre o consumo.

Fonte: ndmais.com.br

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