Sem eleições na Nicarágua, OEA critica Ortega: “Abandonou democracia”
O cancelamento das eleições na Nicarágua provocou manifestações e críticas internacionais sobre o aprofundamento do autoritarismo no país/Presidência da Nicarágua/Cesar Perez/Handout via Reuters
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Albert Ramdin, criticou o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e afirmou que o país “abandonou a democracia”. A declaração ocorreu nessa segunda (20/7), após o líder nicaraguense dizer que a nação não realizará novas eleições para impedir que a oposição volte ao poder.
“O regime nicaragüense já deixou claro que suas ações foram demonstradas desde então: abandonou a democracia, até mesmo a aparência dela. A eliminação das eleições constituiu a negação definitiva do direito soberano do povo para eleger seu governo. As eleições livres, justas e periódicas não são opcionais; é um elemento essencial da democracia representativa”, afirmou Ramdim, na rede social X.
Ortega anunciou o cancelamento das eleições no domingo (19/7), durante as comemorações do 47º aniversário da Revolução Sandinista, em Manágua. Para justificar a medida autoritária, o líder nicaraguense diz que grupos opositores — muitos deles vivendo no exílio — pretendem utilizar o processo eleitoral para retornar ao governo.
A decisão provocou manifestações e críticas internacionais sobre o aprofundamento do autoritarismo no país e, inclusive, do secretário da OEA.
Na continuação do pronunciamento, Ramdin disse que a erosão da democracia em qualquer país das Américas nunca é um problema exclusivamente interno, sinalizando que isso cria um precedente perigoso para o continente inteiro.
“Os ataques às instituições democráticas em nível nacional tiveram consequências regionais, destruíram a governança democrática e afetaram a estabilidade e os valores compartilhados do Hemisfério. Os direitos democráticos do povo nicaragüense ainda são inalienáveis, e esta Secretaria Geral continuará defendendo-os”, disse o secretário-geral da OEA.
Isolada geopoliticamente, a Nicarágua não pode mais sofrer medidas coercitivas internas da OEA, porque se retirou oficialmente da organização em novembro de 2023.
Oposição denuncia fim da democracia
O coletivo Nicarágua Nunca Más, sediado na Costa Rica e formado por exilados nicaraguenses, afirmou que o governo eliminou praticamente todos os mecanismos democráticos no país.
Segundo o coordenador da organização, Salvador Marenco, a Frente Sandinista tornou-se, na prática, um partido único, “sem oposição real dentro da Nicarágua”.
Fonte: metropoles.com/Caio Ramos