“Selo de qualidade” para institutos de pesquisa perde força no TSE; entenda

O ministro do STF, Kassio Nunes Marques.• LUIZ SILVEIRA/STF

Proposta defendida por Kassio Nunes Marques enfrenta resistência interna e tem futuro incerto no tribunal

A ideia defendida pelo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, de instituir um “selo de qualidade” para institutos de pesquisa de opinião perdeu força nos últimos dias.

São apontados principalmente quatro motivos.

Primeiro, a falta de consenso na própria Corte sobre a ideia. Há dúvidas sobre a capacidade técnica do TSE de levar adiante a proposta, bem como a avaliação, por parte de alguns ministros, de que se trata de algo que não é competência da Corte.

Segundo, a reação contrária dos grandes institutos. As associações que os representam, como a Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa)e a Abrapel (Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais), se pronunciaram contra a ideia.

No documento entregue ao TSE, elas apresentaram propostas distintas, como a preservação da liberdade metodológica dos institutos e o reconhecimento de que não há metodologia única obrigatória para pesquisas eleitorais.

A empresas de pesquisa também levantaram que a admissão de diferentes critérios de detalhamento territorial e a recomendação de que perguntas de intenção de voto sejam aplicadas antes de blocos avaliativos, estímulos, atributos ou conteúdos que possam influenciar a resposta do eleitor.

Também reforçam a exigência de que haja identificação “do terceiro que pague, financie, remunere, patrocine, garanta divulgação, adquira prioridade de acesso ou assuma vantagem econômica vinculada à pesquisa”.

As entidades afirmam ainda que “reforçar a transparência é positivo e necessário” e que “o risco está em transformar casos específicos em restrições gerais que possam empobrecer o mercado, aumentar custos, reduzir a pluralidade metodológica e limitar o acesso da sociedade a informações relevantes durante o processo eleitoral”.

Um terceiro motivo apontado é a crítica feita pelo Conselho Federal de Estatística, que divulgou nota oficial contra a ideia, justificando que “pesquisas de intenção de voto são estimativas válidas apenas para o momento da coleta, não previsões, e que comparar institutos pela proximidade numérica ao resultado final ignora margens de erro, diferenças metodológicas, recortes temporais que favorecem pesquisas de véspera, a inexistência de um critério estatístico único de ‘maior acerto’ e o risco de convergência artificial entre institutos”.

Por fim, as críticas que a ideia sofreu por parte de grandes veículos de comunicação também ajudaram a arrefecer a tese de Kassio.

Diante do enfraquecimento da ideia, Kassio tem defendido um novo modelo para o registro de pesquisas eleitorais, como o preenchimento de formulários especificando o perfil do eleitor.

Fonte: cnnbrasil.com.br/Blog Caio Junqueira

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