PF diz que presidente da Conafer comprou R$ 1,7 milhão em gado
Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, durante sessão no STF (Foto: Instagram)© Foto: Instagram
A Polícia Federal (PF) identificou uma aquisição de R$ 1,7 milhão em gado que teria sido feita pelo presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, conhecido como “Mão Preta do INSS”.
De acordo com a PF, a compra foi realizada durante o período em que a entidade recebia recursos de descontos associativos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A informação foi extraída do celular do empresário Higor Dalle Vedove Lourenção, um dos investigados na primeira fase da Operação Sem Desconto. O relatório foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). No total, 48 pessoas foram indiciadas pela PF por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção.
De acordo com a investigação, uma conversa no WhatsApp de Higor menciona que Carlos teria emitido um cheque de R$ 1,7 milhão para a compra de gado. Outros pagamentos de R$ 40 mil para compra de animais também são mencionados. Cícero, um interlocutor, afirma que Carlos estava preocupado com a compensação do cheque.
Os investigadores identificaram Cícero como um dos responsáveis pela movimentação financeira do grupo e operador financeiro do esquema. Ele geria pagamentos de compras de gado e material genético de alto valor ligados a Carlos através de empresas de fachada.
As transações eram feitas por essas empresas para ocultar a origem dos recursos. Entre agosto e setembro de 2023, foram transferidos R$ 1.173.060,00 para Elisvaldo Vilanova de Menezes para compra de gado. Em novembro de 2024, R$ 675 mil foram pagos a “Celso Gado” para mais 30 animais.
A investigação aponta que Carlos Roberto e sua esposa, Bruna Braz de Souza Santos, junto com Vinicius Ramos da Cruz, usaram recursos do esquema para adquirir fazendas, veículos e rebanhos por meio da Agropecuária e Mineração Lagoa Alta Ltda. A PF afirma que Carlos Lopes usou uma estrutura empresarial para ocultar valores ilegais.
Módica, Itambacuri e Jequitinhonha foram localizadas, e 1.487 bovinos, 33 equinos e muares foram apreendidos, além de veículos e equipamentos agrícolas.
O relatório da PF indica que o grupo ligado à Conafer movimentou R$ 708 milhões entre 2019 e 2024. Parte dos recursos foi usada para comprar fazendas, veículos e gado, ocultando a origem do dinheiro. Dois núcleos principais foram identificados, um liderado por Cícero Marcelino de Souza Santos e outro por Samuel Chrisóstomo do Bomfim Júnior.
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em reportagens a partir de dezembro de 2023. As investigações da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU) foram alimentadas por essas reportagens, culminando na Operação Sem Desconto em abril de 2025 e nas demissões de altos funcionários do INSS.
O primeiro inquérito da operação indiciou 48 pessoas. Carlos Roberto Ferreira Lopes foi indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção. Ele é considerado foragido pela PF. Outros investigados incluem ex-funcionários do INSS e lobistas.
O ministro André Mendonça encaminhará o relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR) para decidir sobre a denúncia. O Metrópoles tentou contato com a Conafer, mas não obteve resposta. O espaço continua aberto para comentários.
Fonte: msn.com/História de PAIPEE BR