Pastores, professores e um bolsonarista apoiaram Adriane para privatizar a saúde
Os 11 defensores de Adriane na privatização da saúde (Foto: Arquivo)
Pastores, professores e um bolsonarista radical apoiaram a proposta de Adriane Lopes (PP) de tirar dinheiro da saúde, apesar de não ter para comprar remédios, e pagar uma empresa para administrar dois centros regionais de saúde. Os 11 vereadores ignoraram o clamor popular, os profissionais de saúde e a lógica, de que não dá para incluir mais gasto onde falta dinheiro para tudo.
A saúde de Campo Grande enfrenta a maior crise da sua história, com a falta de recursos para comprar medicamentos, suprir leitos hospitalares e até para realizar exames. Existe uma fila com milhares de doentes esperando desde uma simples consulta até cirurgias com especialistas.
Em alguns casos, a espera chega a superar uma década. Apesar disso, a proposta de Adriane, com uma gestão comandada por pastores da Assembleia de Deus Missões, obteve apoio dos evangélicos na Câmara Municipal.
Dos bolsonaristas, apenas Rafael Tavares (PL) se manteve fiel a pior prefeita do País e votou a favor do projeto. André Salineiro e Ana Portela mudaram de lado e votaram contra a privatização. Os dois podem ter sido sensíveis ao eleitorado.
Os pastores da prefeita
Pastor da Igreja Evangélica Comunidade Global (IECG), que está construindo um mega templo na antiga loja da Bigolin, Clodoilson Pires (Podemos) votou a favor do projeto nesta terça-feira (5). Ele se apresenta como defensor da família.
Professor de Educação Física e formado em teoterapia, uma espécie de psicologia e teologia, Herculano Borges (Republicanos) é pastor da FIT (Fé Invadindo a Terra). Quando se elegeu vereador pela primeira vez, ele se gabou de ter a maior parte dos votos no meio evangélico.
O vereador José Claro dos Santos Neto, o Neto Santos (Republicanos) é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus e é a esperança da agremiação religiosa de voltar a ter um assento na Assembleia Legislativa ou Câmara dos Deputados nas eleições deste ano. Ele também ignorou o apelo do eleitor e votou a favor de se gastar o dinheiro que falta na saúde com a contratação de organizações sociais. O argumento é que os críticos não leram o projeto.
Wilson Celeste Candeloro, o Leinha (Avante), é um evangélico atuante e chegou a propor a inclusão das igrejas na Lei do Silêncio. Do mesmo partido do deputado estadual Lídio Lopes, marido de Adriane, ele já deu sinais de que não ouve os fieis da mesma igreja ao votar para manter o veto ao projeto de lei que derrubava o reajuste abusivo no IPTU.
Ao votar a favor do projeto que suspendia o reajuste de até 396% no IPTU, ele contou que os fieis da sua igreja reclamavam do aumento do tributo. A fidelidade com Adriane, a prefeita mais impopular da Capital até o momento, manteve-se na votação da privatização da saúde.
Professores
Não foram apenas os pastores. Os professores também apoiaram a proposta de privatização de Adriane. Professor Juari (PSDB) e o Professor Riverton (PP) votaram a favor do projeto. O segundo até ensaiou fazer oposição a prefeita, mas voltou a ser fiel.
Riverton explicou que votou a favor porque a medida era “temporária” e abrangia apenas “dois centros regionais de saúde”, no caso, do Tiradentes e do Aero Rancho.
A lista de apoiadores inclui o líder da prefeita, Beto Avelar (PP), o ex-presidente do legislativo, Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), e Wilson Lands (Avante), irmão do secretário licenciado da Juventude e acusado de estupro de vulnerável e assédio sexual de subordinado, Paulo Lands.
A grande surpresa foi Junior Coringa (MDB) votar a favor apesar do cacique do MDB, o ex-prefeito André Puccinelli, ser contra a privatização. Na véspera da votação, o ex-governador detonou o projeto em reunião no Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul.

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt