No Dia do Trabalhador, Fórum dos Servidores Públicos de MS manifesta: Nada a comemorar, muito a lutar

 

Relatório do DIEESE revela renúncia fiscal de R$ 17,6 bilhões e descumprimento de promessas de campanha

Neste 1º de maio, o Dia Internacional do Trabalhador não será marcado por celebrações para os servidores públicos de Mato Grosso do Sul. Em uma mobilização conjunta, o Fórum dos Servidores Públicos de MS divulgou manifesto contundente baseado em dados técnicos do DIEESE-MS, que expõe um abismo entre a política de incentivos fiscais do governo e a realidade de quem mantém a máquina pública em funcionamento.

O cenário é de indignação: enquanto o Estado acumula uma renúncia fiscal estimada em R$ 17,64 bilhões entre 2015 e 2025, o funcionalismo público amarga uma defasagem salarial que ultrapassa os 38%. Somente em 2026, o contraste ficou evidente com a sanção da Lei Estadual 6.562/2026, que impôs um reajuste de apenas 3,81%, enquanto o governo desonerava cerca de 80 decretos em 12 setores econômicos.

O contraste do “superávit” e o silêncio do Governo

Para os coordenadores das categorias, o calendário festivo ignora a precarização dos serviços. Bruno Alves da Silva Nascimento, coordenador de Previdência e Saúde (SINDETRAN-MS), aponta a desconexão entre o discurso oficial e o cotidiano. “Chegamos a mais um 1º de maio e, para o servidor público de Mato Grosso do Sul, o calendário não condiz com a realidade. Enquanto o governo celebra números e superávits, quem carrega o Estado nas costas — a segurança pública, a saúde, a educação, o técnico e tantas outras categorias — enfrenta um cenário de silêncio e desvalorização”, afirma.

A coordenadora-geral Ana Cláudia Gomes (SISALMS) ressalta que a falta de recursos alegada pelo governo é uma escolha política. “Conforme os dados do Dieese, são bilhões de reais que deixam de entrar nos cofres públicos. É dinheiro que poderia estar financiando a saúde, a segurança e, principalmente, a valorização de quem faz o serviço público acontecer. O governo escolheu abrir mão de receita para o empresariado, mas diz que não tem margem para recompor as nossas perdas salariais acumuladas”, detalha.

Números que não mentem

O levantamento detalhado solicitado pelo Fórum revela dados alarmantes que reforçam o sentimento de injustiça das categorias:

  • Renúncia Fiscal: Entre 2015 e 2025, o Estado abdicou de 27% de sua receita prevista. Em 2025, a previsão de renúncia atinge o recorde de R$ 8,4 bilhões (36% da receita).
  • Perda Salarial Real: Entre 2015 e 2026, a inflação (IPCA) foi de 85,08%, enquanto o reajuste acumulado foi de apenas 38,60%, resultando em uma perda real de -38,64%.
  • Margem na LRF: Diferente do passado, o governo hoje gasta apenas 39,13% com pessoal, bem abaixo do limite de alerta da Lei de Responsabilidade Fiscal (44,10%), possuindo margem financeira para a recomposição.

Ricardo Alexandre Corrêa Bueno, coordenador de Finanças (SINTSS), classifica a situação como contraditória. “Enquanto o Governo do Estado mantém o silêncio diante da defasagem salarial e das pautas urgentes, concede isenções fiscais bilionárias a grandes grupos econômicos”, critica.

Sucateamento e Terceirização

A falta de investimentos reflete-se diretamente na estrutura das carreiras. Leda Regina Monteiro Perdomo, coordenadora de Finanças Adjunto (SINTERPA), alerta para as consequências imediatas: “O resultado dessa escolha é a precarização. O que vemos hoje é o sucateamento das carreiras: falta de concurso público, excesso de terceirização e comissionados, e perdas inflacionárias”.

Para as lideranças sindicais, não há o que celebrar e destaca quatro pontos preocupantes:

  1. Defasagem Salarial: O poder de compra corroído obriga servidores a buscarem bicos ou acumularem dívidas e consignados.

  2. Falta de Concursos: O déficit de pessoal sobrecarrega as equipes, gerando adoecimento mental e queda na qualidade do atendimento ao cidadão.

  3. Terceirização Desenfreada: A substituição de carreiras de Estado por contratos temporários fragiliza a continuidade das políticas públicas.

  4. Promessas Descumpridas: O Fórum relembra o compromisso de campanha do atual governador em 2022 de estabelecer uma política de recomposição, promessa que, segundo os dirigentes, foi ignorada após a eleição.

 

Um 1º de Maio de Luta

Diante da ausência de cumprimento das promessas feitas pelo governador Eduardo Riedel em 2022 — quando garantiu diálogo franco e política de recomposição — os dirigentes sindicais unificaram o discurso de resistência.

“Por isso, neste Dia do Trabalhador, o Fórum dos Servidores não traz brindes ou mensagens festivas. Trazemos um grito de alerta. Não aceitaremos o silêncio como resposta enquanto o Estado distribui benesses fiscais para poucos e nega o básico para quem serve ao povo”, declarou Fabiano Reis de Oliveira, coordenador-geral (SINDIJUS).

Mário Márcio dos Santos Jurado, também coordenador-geral (SINPOL-MS), encerra com uma convocação à categoria: “Neste 1º de maio, nossa comemoração é a nossa luta. Queremos respeito, diálogo e a valorização que é de direito”.

Fonte: MS Todo Dia
Fotos: Divulgação

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