Mulheres lideram alta de quase 88% nos diplomas de ensino superior em MS, mas disparidades salariais e raciais persistem

O perfil educacional de Mato Grosso do Sul passou por uma transformação expressiva na última década. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o número de pessoas com 25 anos ou mais que concluíram o ensino superior no Estado saltou de 227 mil, em 2016, para 426 mil, em 2025 — um crescimento de 87,7%.

Com esse avanço, a proporção de adultos sul-mato-grossenses com diploma universitário subiu de 14,5% para 23,1%, superando a média nacional, que fechou o período em 21,4%. O movimento reflete uma maior qualificação da mão de obra local, impulsionada majoritariamente pelas mulheres, embora o mercado de trabalho e o acesso racial ainda apresentem profundas desigualdades.

Protagonismo feminino e o abismo salarial

As mulheres são as principais responsáveis por puxar os índices educacionais do Estado para cima. Em 2025, elas representavam cerca de 60% do total de graduados, somando 256 mil dos 426 mil diplomas. Proporcionalmente, 27% da população feminina adulta do Estado concluiu a faculdade, contra 19% da população masculina.

Apesar de estudarem mais e liderarem a formação acadêmica, as mulheres continuam enfrentando desvantagem financeira no mercado de trabalho. O levantamento do IBGE aponta que, em 2025, o rendimento médio mensal das mulheres em Mato Grosso do Sul foi de R$ 3.210, enquanto os homens receberam, em média, R$ 4.127. A diferença ultrapassa os R$ 900 mensais, evidenciando que a maior escolaridade feminina ainda não se converteu em equidade salarial.

Desigualdade racial e avanços no acesso

Os indicadores da Pnad Contínua também colocam em evidência o recorte racial na educação. A conclusão do ensino superior permanece mais frequente entre a população branca: em 2025, 23,1% dos adultos brancos possuíam diploma, comparado a 17,2% entre pretos e pardos.

Por outro lado, o grupo composto por pretos e pardos foi o que registrou o crescimento mais acelerado no período. Em nove anos, o percentual de graduados nessa parcela da população quase dobrou, saltando de 9,8% em 2016 para os atuais 17,2%, estreitando a distância histórica em relação aos estudantes brancos (que eram 20% em 2016).

Queda na baixa escolaridade

A pesquisa do IBGE também traz um panorama positivo sobre a redução do analfabetismo e da baixa instrução. O índice de moradores de Mato Grosso do Sul com 25 anos ou mais sem instrução ou com o ensino fundamental incompleto recuou de 44,1% (2016) para 32,2% (2025).

A melhora foi identificada em todos os recortes:

  • Pretos e pardos (sem instrução/fundamental incompleto): caiu de 49,2% em 2016 para 35,7% em 2025 (recuo de 13,5 pontos percentuais).
  • Brancos (sem instrução/fundamental incompleto): caiu de 37,9% em 2016 para 27,7% em 2025 (recuo de 10,2 pontos percentuais).

Os dados reforçam que, embora o Estado caminhe para uma democratização do ambiente universitário e para a elevação da escolaridade geral, o mercado de trabalho e as estruturas sociais ainda replicam barreiras de gênero e raça.

Com informações de Correio do Estado.

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