MPE faz devassa para combater corrupção em R$ 1,8 bilhão em emendas parlamentares

Adriane Lopes e a bancada federal: agora, eles deverão dar transparência e informar onde recursos foram aplicados (Foto: Arquivo)

O Ministério Público Estadual começou a fazer devassa inédita nas emendas parlamentares de vereadores de Campo Grande, deputados estaduais, deputados federais e senadores. O objetivo é combater a corrupção nos gastos realizados nos últimos três anos – uma fortuna de R$ 1,8 bilhão que não tinha controle nenhum no Estado.

Os promotores de Justiça vão exigir transparência total na aplicação dos recursos, desde a identificação do parlamentar responsável pela emenda, o contrato realizado, o valor gasto, a obra realizada e verificar o gasto de ponta a ponta.

Em Campo Grande, a ofensiva é comandada pelo promotor da 30ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, Humberto Lapa Ferri. Ele abriu o procedimento para acompanhar a aplicação dos recursos nos últimos três anos da Câmara Municipal de Campo Grande, dos deputados estaduais e da bancada federal.

O mesmo procedimento será adotado por outros promotores no interior do Estado. O gasto com as emendas não tinha qualquer fiscalização e entrou no radar após os escândalos revelados pelo Supremo Tribunal Federal. Vários deputados e senadores receberam visita da Polícia Federal para explicar desvios milionários das emendas.

“Prevenir a ocorrência de irregularidades e de práticas lesivas ao patrimônio público decorrentes da criação ou da execução das emendas parlamentares”, destacou Ferri. A devassa atende determinação do ministro Flávio Dino, do STF.

Para se ter uma ideia, somente a bancada federal, composta por oito deputados federais e três senadores, vai movimentar a bagatela de R$ 702 milhões apenas neste ano. A investigação também alcançará 2025 (gasto de R$ 528 milhões) e 2024 (R$ 366 milhões).

Promotor Humberto Lapa Ferri comanda devassa nos gastos com emendas na Capital (Foto: Arquivo)

Na Assembleia Legislativa, os 24 deputados estaduais vão movimentar R$ 96 milhões em emendas neste ano. No ano passado, eles tiveram R$ 84 milhões. Em 2024, foram mais R$ 72 milhões.

Na Câmara Municipal de Campo Grande, 29 vereadores devem destinar R$ 24 milhões por meio de emendas. Cada parlamentar tem direito a R$ 830 mil. É muito dinheiro sem fiscalização do poder público, que passará a ser fiscalizado com lupa pelo MPE. A sociedade deve estar ansiosa para descobrir o que pode ser encontrado nesta fiscalização minuciosa em um gasto que era feito as cegas, sem transparência e qualquer tipo de prestação de contas.

Alguns apostam em mega escândalo à vista. Será?

A fiscalização vai acompanhar as entidades, prefeituras, órgãos públicos e instituições beneficiadas pela farra das emendas parlamentares. O combate à corrupção é fundamental em tempos em que falta dinheiro para garantir o básico ao cidadão, enquanto políticos vivem no paraíso e só acabam prestando contas a cada quatro anos, quando buscam o voto para manter a mamata.

Um caso clássico do destino das emendas é a obra de revitalização da Avenida Ernesto Geisel, que começou em 2017 e recebeu recursos de deputados federais e senadores. Quase nove anos depois, a obra não foi concluída e a população não viu onde as emendas parlamentares foram aplicadas.

Gastos com emendas da bancada federal:

  • 2024: R$ 366 milhões
  • 2025: R$ 528 milhões
  • 2026: R$ 702 milhões

Gastos com emendas dos deputados estaduais

  • 2024: R$ 72 milhões
  • 2025: R$ 84 milhões
  • 2026: R$ 96 milhões.

Outra obra emblemática que recebeu recursos de emendas federais, mas não foi concluída até hoje é Centro de Belas Artes, no Jardim Cabreúva, na Capital. A obra foi iniciada para ser a nova estação rodoviária de Campo Grande e chegou a ser inaugurada por Pedro Pedrossian em 1994.

Só que após muita polêmica, o Governo mudou a finalidade da obra e a repassou à Prefeitura de Campo Grande. Desde a gestão de Nelsinho Trad (PSD), a obra está para ser concluída como espaço para a cultura, mas nunca é concluída. Também nunca ficou claro para a sociedade se o valor das emendas parlamentares chegaram ser aplicadas na obra, porque não houve nenhum avanço efetivo em três décadas.

Elefante branco, Belas Artes recebe investimentos de emendas parlamentares, mas obra não avança: houve desembolso ou não? (Foto: Arquivo)

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt

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