Moraes proíbe visitas de Flávio a Bolsonaro por 90 dias após leitura de carta do ex-presidente
Flávio Bolsonaro ficará sem se comunicar com Jair Bolsonaro até depois do primeiro turno Foto: Fabio Motta/Estadão
BRASÍLIA – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu nesta segunda-feira, 13, suspender por 90 dias o direito de visita do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena em prisão domiciliar.
Em transmissão ao vivo nas redes sociais no sábado, 11, Flávio exibiu uma declaração escrita à mão pelo pai, em que ele diz que os seus apoiadores devem “deixar as diferenças” e chama o filho “01? de “meu porta-voz em quem confio”. Segundo Moraes, Flávio descumpriu a medida cautelar que proíbe Bolsonaro de usar as redes sociais, inclusive por meio de terceiros.
Considerando o prazo estabelecido pelo ministro do STF, Flávio ficará sem se comunicar diretamente com o pai até o dia 11 de outubro – data posterior ao primeiro turno das eleições, que ocorre no dia 4 daquele mês.
“Utilizando-se do seu direito de visita, Flávio Nantes Bolsonaro obteve uma carta do sentenciado Jair Messias Bolsonaro, com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais”, escreveu Moraes na decisão.
“Não há dúvidas, portanto, que a conduta irregular de Flávio Nantes Bolsonaro desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita”, prosseguiu.
Moraes ainda determinou o envio do caso ao procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet, para que apure se a conduta configura propaganda eleitoral antecipada de Flávio. Para o ministro, a carta foi um instrumento de promoção política da candidatura do filho à Presidência, “com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto”.
O ministro também cobrou que a defesa do ex-presidente explique, em até 48 horas, se ele tinha conhecimento de que a sua carta seria lida pelo filho em transmissão ao vivo nas redes sociais.
Moraes ponderou, no entanto, que a declaração de Flávio de que o pai “teria um recado muito importante para dar a toda a nossa nação” já indica que Bolsonaro tinha “plena ciência de que sua carta seria divulgada em redes sociais”. De acordo com ministro, tal ato “configuraria igualmente desrespeito à medida cautelar a que está submetido”.
Ao justificar a suspensão das visitas, Moraes afirmou que Flávio é “reincidente em sua conduta desrespeitosa às decisões judiciais”. O ministro relembrou o episódio ocorrido o dia 3 de agosto de 2025 em que Bolsonaro ligou para Flávio e enviou uma mensagem a manifestantes no Rio de Janeiro, fato que foi transmitido nas redes sociais e à época foi interpretado como violação da medida cautelar que proíbe o ex-presidente de utilizar essas plataformas.
A violação de medidas cautelares por Bolsonaro, como o ocorrido recentemente no episódio da arma apreendida, pode fazer com que ele perca o direito à prisão domiciliar e retorne a uma unidade prisional. Porém, como mostrou o Estadão/Broadcast, uma ala do STF considera improvável a revogação da domiciliar neste momento.
O documento lido por Flávio e que ensejou a proibição de visitas ao pai foi intitulado de “Carta aos Brasileiros”, assim como a apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2002, em sinalização ao mercado de comprometimento com a legado macroeconômico da gestão anterior.
No texto, Bolsonaro transmite a ordem aos apoiadores para “deixar as diferenças e apoiar o nosso pré-candidato Flávio Bolsonaro, meu porta-voz em quem confio”. A mensagem foi veiculada após racha entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Fonte: msn.com/História de Weslley Galzo