10 de setembro de 2026
Brasil

Mendonça cobra Fachin e diz que decisão de Dino sobre PF é ilegal

Ministro afirmou ao presidente do STF que o afastamento de Andrei Rodrigues não poderia ser revertido por quem não é o relator do caso/Foto: Fellipe Sampaio/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça telefonou nesta quarta-feira (9) para o presidente da Corte, Edson Fachin, para cobrar providências contra a decisão de Flávio Dino que determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF).

Segundo interlocutores dos ministros, Mendonça afirmou a Fachin que a decisão de Dino é ilegal e deveria ser anulada. O argumento apresentado é que Dino não é o relator das investigações relacionadas ao Banco Master e, por isso, não teria competência para suspender uma decisão tomada por outro ministro no caso.

Mendonça também teria questionado o fato de Dino ter desautorizado uma decisão individual de outro integrante da Corte e interferido em um processo que estava sendo analisado pela Segunda Turma do STF.

A decisão de Dino foi tomada horas depois de Mendonça determinar o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada da Costa. O ministro apontou possíveis irregularidades relacionadas à produção e ao uso de relatórios de inteligência pela corporação.

Crise no Supremo

O episódio ampliou a crise interna no STF, marcada nos últimos dias por decisões individuais tomadas por diferentes ministros e divergências sobre a condução das investigações envolvendo o Banco Master.

Mendonça é o relator de procedimentos que tratam do caso e também de investigações relacionadas ao escândalo do INSS e a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).

Ao determinar o afastamento da cúpula da PF, Mendonça citou informações e comunicações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo a decisão, os elementos levantaram questionamentos sobre a atuação de integrantes da Polícia Federal.

Dino, por sua vez, determinou o retorno imediato de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos. Ao justificar a medida, afirmou que investigações urgentes não poderiam ser interrompidas por um “caos administrativo” e defendeu que a atividade de inteligência não ficasse submetida ao “alvedrio de um único magistrado”.

Em meio ao conflito entre os ministros, Fachin cancelou a sessão do plenário do STF prevista para esta quarta-feira (9). A expectativa é que o presidente da Corte convoque uma reunião administrativa para tratar da crise e das divergências entre os integrantes do tribunal.

Fonte: claudiodantas.com.br/Por Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *