Lula articula agenda pós-eleitoral no Congresso para blindar acordos e evitar dependência do Centrão
Diante do esvaziamento iminente da Câmara dos Deputados e do Senado Federal em decorrência da reta final da campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as articulações para tentar deixar encaminhadas as votações prioritárias do Executivo. O Palácio do Planalto busca assegurar o cumprimento dos pactos firmados com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), evitando abrir uma nova e imprevisível rodada de barganha com o Centrão após o resultado das urnas.
A preocupação central do governo é que o ambiente político mudará expressivamente após 4 de outubro: com parlamentares reeleitos, derrotados ou eleitos para outros cargos, os partidos de centro estarão focados na sucessão das mesas diretoras, na ocupação de cargos do primeiro escalão e na divisão de emendas da legislatura de 2027.
Avanços do esforço concentrado e pendências estratégicas
O pacote de prioridades havia sido tratado diretamente por Lula com Alcolumbre e Motta em reunião no Palácio da Alvorada. No esforço concentrado da última semana de agosto, o Congresso cumpriu parte do cronograma com a aprovação do Redata (incentivos a data centers), do marco legal dos minerais críticos e da Medida Provisória que zera o Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50 (a chamada “taxa das blusinhas”, cuja vigência expirava em 8 de setembro).
Contudo, três matérias centrais ficaram pendentes para o período posterior às eleições:
- Fim da escala 6×1: Embora aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a matéria não foi ao plenário. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), admitiu que a base governista não tinha garantia dos 49 votos exigidos para aprovar a PEC e preferiu não arriscar a rejeição diante da mobilização da oposição. Alcolumbre assumiu o compromisso de pautar o texto em plenário após o primeiro turno.
- PEC da Segurança Pública: Aprovada em seu texto-base na CCJ do Senado, a matéria ainda requer a apreciação de destaques no colegiado antes de ser liberada para deliberação em plenário.
- LDO e Orçamento de 2027: A Lei de Diretrizes Orçamentárias ainda não foi votada e terá de tramitar simultaneamente à proposta orçamentária para destravar os gastos públicos do próximo ano.
Tensão entre Poderes e embate sobre a jornada 6×1
A articulação governista se desenrola sob o reflexo da crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeada pelo confronto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em torno do caso Banco Master. O episódio fortaleceu a oposição no Congresso, que intensificou pressões para que Alcolumbre dê andamento a pedidos de impeachment contra Moraes.
Na esfera eleitoral, Lula criticou publicamente a obstrução de senadores oposicionistas à PEC da jornada 6×1, mirando a atuação do senador Rogério Marinho (PL-RN) — coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL):
“Ontem, o Brasil testemunhou, mais uma vez, quem é quem no Congresso Nacional. Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6×1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor na corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta”.
Para o Planalto, a manutenção dos acordos com as cúpulas do Legislativo é o único caminho para evitar que temas econômicos e trabalhistas fiquem reféns das pressões do Centrão durante o intervalo entre os dois turnos eleitorais.
Com informações de Metrópoles.