Greve de servidores atinge ao menos 51 universidades federais
Servidores cobram por redução da jornada de trabalho e melhores condições de trabalho/Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles @vinicius.foto
Ao menos 51 universidades e institutos federais (confira a lista abaixo) enfrentam paralisações de servidores técnico-administrativos em educação (TAEs). O movimento se concentra principalmente na região Sudeste e atinge instituições importantes, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a maior federal do país.
O levantamento é da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativo em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra). Segundo a federação, parte das paralisações já dura cerca de dois meses — desde 23 de fevereiro — enquanto outras adesões são mais recentes e vêm sendo realizadas ao longo dos últimos dias.
Os impactos afetam os serviços de apoio, com atrasos na emissão de documentos, processamento de matrículas e suporte administrativo, além do funcionamento de bibliotecas, laboratórios e rádios.
Entre as principais reivindicações da categoria está a implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), além de outros pontos previstos no acordo firmado com o governo federal em 2024, como a redução da jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais.
“Mais de mil trabalhadoras e trabalhadores de todo o país se somaram ao ato. Durante a caminhada, os participantes entoaram palavras de ordem em defesa da valorização da classe trabalhadora, com destaque para a luta pelo fim da escala 6×1, a redução da jornada sem redução salarial e melhores condições de trabalho”, informou a Fasubra.
Em meio à paralisação, o Conselho Universitário da UFRJ aprovou um período de recesso acadêmico de 20 a 25 de abril,
Em nota, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) informou que “as negociações com as entidades representativas dos Técnicos-Administrativos em Educação das instituições federais de ensino superior públicas duraram vários meses e resultaram na assinatura do Termo de Acordo n° 11/2024, em 27 de junho de 2024. O termo foi assinado pelo governo, Fasubra e Sinasefe e previu a reestruturação de carreira e reajuste salarial para 2025 e 2026”.
Segundo órgão, “o governo atendeu boa parte dessas demandas dos TAES na Lei 15.367/2026, sancionada em março deste ano, entre elas: o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), que agora está em fase de regulamentação para ser implementado; a jornada de 30 horas semanais (6 horas ininterruptas) para atividades de atendimento ao público externo, que inclui alunos e população em geral; e o plantão de 12 horas por 60 horas para servidores dos hospitais universitários e vigilantes”.
“Ao longo de todo esse processo o governo manteve e mantém diálogo permanente com representantes das categorias, a exemplo de reunião realizada em 15 de abril, em Brasília”, concluiu a nota.
Também em nota, enviada ao Metrópoles, o Ministério da Educação (MEC) informou que “reafirma seu respeito ao direito constitucional de greve e mantém diálogo permanente com as categorias da educação federal”
Confira a lista completa de federais afetadas:
- Universidade Federal do Pará (UFPA)
- Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
- Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESPA)
- Universidade Federal do Amazonas (UFAM) (via SINTESAM)
- Universidade Federal do Acre (UFAC)
- Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
- Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE)
- Universidade Federal da Bahia (UFBA)
- Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
- Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)
- Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
- Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
- Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA)
- Universidade Federal do Piauí (UFPI)
- Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar)
- Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
- Universidade Federal Fluminense (UFF)
- Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
- Universidade Federal do ABC (UFABC)
- Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
- Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
- Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)
- Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)
- Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG)
- Universidade Federal de Lavras (UFLA)
- Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
- Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
- Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
- Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG)
- Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
- Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)
- Universidade Federal do Paraná (UFPR)
- Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
- Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
- Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
- Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
- Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS)
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
- Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)
Fonte: metropoles.com/Maria Eduarda Maia