“Grande feito” de Adriane, reajuste beneficia só 24% dos servidores e não tem estimativa de impacto

Adriane reajustou o próprio salário, mas não quer repor inflação de todos os servidores (Foto: Divulgação)

Anunciado pela prefeita Adriane Lopes (PP) como um grande feito, o reajuste de 4,39% deve afetar apenas 24% dos servidores municipais de Campo Grande. Isso, porque ela restringiu o benefício a pouco mais de 9 mil servidores, apenas efetivos e alguns poucos aposentados. Deixando de foram quase 30 mil servidores.

Além disso, o texto do projeto enviado à Câmara dos Vereadores não especifica quanto a prefeitura pretende gastar com o reajuste dos servidores, muito menos o número exato de quantos vão ser beneficiados com a reposição da inflação e quantos vão ficar de fora.

Vale lembrar que os servidores municipais estão há três anos sem reajuste mínimo, que reponha a inflação. E agora, Adriane Lopes quer dividir os 4,39% em duas parcelas, sendo 2,20% em agosto de 2026 e 2,19% em março de 2027. Apesar de não conseguir repor a inflação dos servidores, ela aumentou o próprio salário em 51%, e beneficiou os secretários com 119% de aumento.

Dados de 2024, de quando a prefeitura tentava vender a folha de pagamento, o número de servidores somavam 38.214, sendo 7.316 aposentados, 15.304 comissionados e contratados e 15.590 efetivos. Nessa conta, o reajuste de agora contempla apenas um quarto do total de servidores.

“Assim, após uma série de medidas adotadas visando dar saúde financeira às contas públicas, neste momento, após três anos sem revisão no vencimento-base, propomos seu reajuste aos ocupantes de cargos efetivos do Poder Executivo, no percentual de 4,39% (quatro inteiros e trinta e nove centésimos por cento), sendo 2,20% (dois inteiros e vinte centésimos por cento) em agosto de 2026 e 2,19% (dois inteiros e dezenove centésimos por cento) em março de 2027”, diz o texto.

No projeto enviado à Câmara, a prefeitura cita medida de contenção de gastos em vigor desde o ano passado, mas omite informações sobre o teto de gastos com pessoal e as manobras que vai precisar fazer para dar o reajuste, visto o limite estipulado em lei.

O texto é claro em deixar de fora várias categorias, como os servidores comissionados, Agentes Comunitários de Saúde, Agentes de Combate às Endemias e professores.

E os aposentados?

A prefeitura não esclarece sobre os aposentados no texto do projeto de lei, mas questionado sobre o assunto, o diretor-presidente do IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande), Marcos Tabosa , afirma que vão receber apenas os aposentados que tem paridade.

Aposentados que têm paridade são aqueles cujos proventos de aposentadoria acompanham os mesmos reajustes e vantagens concedidos aos servidores da ativa que ocupam o mesmo cargo. Conforme Tabosa, aproximadamente 4,5 mil aposentados serão beneficiados.

Segundo ele, a reposição da inflação considera servidores que não tem piso salarial. Tabosa é ex-vereador, servidor de carreira e foi nomeado por Adriane Lopes para gerir o IMPCG, em fevereiro de 2025.

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *