General delator, que já denunciou Lula, pode negociar com Trump
General delator, que já denunciou Lula, pode negociar com Trump
O general delator está de volta!
Em fevereiro deste ano, um inesperado acontecimento na Venezuela causou choque e espanto: agentes locais, numa ação conjunta com Washington, prenderam o empresário Alex Saab, em seguida deportado pela segunda vez para os Estados Unidos.
Saab havia recém sido demitido do Ministério da Indústria e Produção Nacional pela presidenta-colaboradora de Trump, Delcy Rodríguez. Ele foi indicado para o cargo em 2024 por Nicolás Maduro.
Saab deve depor contra Nicolás Maduro no julgamento a que o presidente sequestrado será submetido. A expectativa é de que Saab faça algum tipo de acordo de delação, uma vez que nos EUA encara uma sentença que pode chegar a 20 anos de prisão.
Tudo indica que, ao lado de Saab, estará o ex-general Hugo “O Frango” Carvajal, que foi Diretor de Inteligência Militar da Venezuela entre 2004 e 2011.
Posteriormente, ele foi Autoridade Nacional contra o Crime Organizado e Financiamento do Terrorismo e em abril de 2013, já sob Nicolás Maduro, chefe da Contrainteligência Militar.
Ou seja, Carvajal teve grande intimidade com o núcleo duro do poder bolivariano.
Cônsul preso
Chutado para cima, Carvajal foi indicado cônsul da Venezuela em Aruba em janeiro de 2014, mas foi preso em julho daquele ano sob pressão dos Estados Unidos.
Carvajal foi solto depois de intensa pressão de Caracas sobre a Holanda, cujo reino engloba a ilha do Caribe. Ele vestiu o pijama de aposentado em Caracas, mas por pouco tempo.
Em 2019, o ex-general se voltou contra o chavismo e publicou um vídeo em apoio a Juan Guaidó, o oposicionista que se declarou presidente “paralelo” da Venezuela.
Carvajal exilou-se na Espanha, onde foi preso a pedido de Washington e deportado para os Estados Unidos.
O ex-general foi acusado de tráfico de drogas e armas. Em 2025, ele se declarou culpado e ficou sujeito a uma pena de 50 anos.
A carta aberta
Em dezembro do ano passado, Carvajal escreveu uma carta aberta a Donald Trump, em que fez várias acusações ao governo da Venezuela:
Prezado Senhor Presidente Trump e povo dos Estados Unidos,
Meu nome é Hugo Carvajal Barrios. Por muitos anos, fui um membro de alto escalão do regime venezuelano. Fui um general de três estrelas, de confiança tanto de Hugo Chávez quanto de Nicolás Maduro, e servi como Diretor de Inteligência Militar e Deputado na Assembleia Nacional.
Hoje, estou preso nos Estados Unidos porque me declarei culpado voluntariamente dos crimes que me são imputados: conspiração para narcoterrorismo. Escrevo para me redimir, contando toda a verdade, para que os Estados Unidos possam se proteger dos perigos que testemunhei por tantos anos.
Rompi publicamente com o regime de Maduro em 2017 e fugi do meu país, ciente de que enfrentaria acusações criminais nos Estados Unidos. Ao fazer isso, tornei-me inimigo deles. Ciente dos riscos, agi com a mais forte convicção para desmantelar o regime criminoso de Maduro e trazer liberdade ao meu país.
Hoje, vejo a necessidade de falar ao povo americano sobre a realidade do que o regime venezuelano realmente é — e por que as políticas do Presidente Trump não são apenas corretas, mas absolutamente necessárias para a segurança nacional dos Estados Unidos.
Narcoterrorismo
Eu testemunhei pessoalmente como o governo de Hugo Chávez se tornou uma organização criminosa, agora comandada por Nicolás Maduro, Diosdado Cabello e outros altos funcionários do regime.
O objetivo dessa organização, agora conhecida como Cartel dos Sóis, é usar as drogas como arma contra os Estados Unidos.
As drogas que chegaram às suas cidades por novas rotas não foram acidentes de corrupção nem obra de traficantes independentes; foram políticas deliberadas e coordenadas pelo regime venezuelano contra os Estados Unidos.
Esse plano foi sugerido pelo regime cubano a Chávez em meados dos anos 2000 e foi executado com sucesso com a ajuda das FARC, do ELN, de agentes cubanos e do Hezbollah. O regime forneceu armas, passaportes e impunidade para que essas organizações terroristas operassem livremente a partir da Venezuela contra os Estados Unidos.
Bonde de Aragua
Eu estava presente quando as decisões foram tomadas para organizar e instrumentalizar gangues criminosas por toda a Venezuela para proteger o regime — entre elas, o grupo conhecido como Bonde de Aragua. Chávez ordenou o recrutamento de líderes criminosos dentro e fora das prisões para defender “a revolução” em troca de impunidade.
Após a morte de Chávez, Maduro expandiu essa estratégia exportando o crime e o caos para o exterior, visando exilados políticos venezuelanos e reduzindo artificialmente as estatísticas de criminalidade dentro da Venezuela. Os líderes das gangues foram instruídos a enviar milhares de membros para fora do país.
Isso foi coordenado pelo Ministério do Interior, o Ministério das Prisões, a Guarda Nacional e as forças policiais nacionais. O Bonde de Aragua tornou-se o grupo mais eficaz e de crescimento mais rápido.
Quando a política de fronteiras abertas de Biden-Harris se tornou amplamente conhecida, eles aproveitaram a oportunidade para enviar esses agentes para os Estados Unidos. Agora, eles tem, pessoal obediente e armado em solo americano.
Para financiar suas operações, eles foram explicitamente instruídos a continuar sequestrando, extorquindo e matando. Cada crime que eles cometem em seu território é um ato ordenado pelo regime.
Contraespionagem e Espionagem contra os Estados Unidos
Eu estava presente quando a inteligência russa veio a Caracas para propor a Hugo Chávez a interceptação de cabos submarinos de internet que conectam a maior parte da América do Sul e das ilhas do Caribe aos Estados Unidos, com o objetivo de penetrar nas comunicações do governo americano.
Em 2015, alertei Maduro de que permitir que a inteligência russa construísse e operasse um posto de escuta secreto na Ilha de La Orchila um dia levaria a bombas americanas. Ele me ignorou.
Por vinte anos, o regime venezuelano enviou espiões para o seu país — muitos ainda estão lá, alguns disfarçados de membros da oposição venezuelana. A inteligência cubana me mostrou suas redes dentro de suas bases navais na Costa Leste. Eles se gabavam de ter enviado milhares de espiões ao longo de décadas, alguns agora políticos de carreira.
Diplomatas americanos e agentes da CIA foram pagos para ajudar Chávez e Maduro a se manterem no poder. Esses americanos atuaram como espiões para Cuba e Venezuela, e alguns permanecem ativos até hoje.
Smartmatic e suas eleições
A Smartmatic nasceu como uma ferramenta eleitoral do regime venezuelano, mas logo se transformou em um instrumento para ajudar a mantê-lo no poder indefinidamente. Sei disso porque nomeei o chefe de TI do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para o cargo, e ele se reportava diretamente a mim.
O sistema Smartmatic pode ser alterado — isso é um fato. Essa tecnologia foi posteriormente exportada para o exterior, inclusive para os Estados Unidos. Operadores do regime mantêm relações com funcionários eleitorais e empresas de urnas eletrônicas em seu país.
Não afirmo que todas as eleições são roubadas, mas afirmo com certeza que as eleições podem ser fraudadas com o software — e já foram usadas para isso.
Povo dos Estados Unidos, não se enganem quanto à ameaça representada por permitir que uma organização narcoterrorista circule livremente pelo Caribe e por toda a América Latina, fazendo tudo o que for possível para prejudicar o povo americano – para financiar o anti-americanismo em todo o continente e para facilitar as operações de outras organizações terroristas e inimigas dos Estados Unidos dentro da Venezuela e agora dentro de suas fronteiras.
O regime que servi não é apenas hostil – está em guerra com vocês, usando drogas, gangues, espionagem e até mesmo seus próprios processos democráticos como armas. As políticas do presidente Trump contra o regime criminoso de Maduro não são apenas justificadas, mas necessárias e proporcionais à ameaça.
Ele pode até estar subestimando o que o regime está preparado para fazer para se manter no poder. Eles têm planos de contingência para todos os cenários extremos para garantir que nunca percam o controle.
Apoio totalmente a política do presidente Trump em relação à Venezuela, porque é em legítima defesa e ele está agindo com base na verdade. Continuo à disposição para fornecer detalhes adicionais sobre esses assuntos ao governo dos Estados Unidos.
Hugo Carvajal Barrios
A carta de Carvajal serviu como luva aos interesses de Donald Trump. Em janeiro de 2026, o ocupante da Casa Branca mandou sequestrar Nicolás Maduro.
Já denunciou Lula
Carvajal não é desconhecido da extrema-direita brasileira. Enquanto estava no exílio, ele acusou lideranças de esquerda da América Latina de tirarem proveito do dinheiro do petróleo venezuelano.
Em 2021, escreveu uma carta a um juiz espanhol:
O governo venezuelano financia ilegalmente movimentos políticos de esquerda no mundo há pelo menos 15 anos, incluindo o financiamento da criação do partido político espanhol Podemos. Enquanto eu era diretor de Inteligência Militar e Contrainteligência da Venezuela, recebi muitos relatórios que mostravam que esse financiamento internacional estava acontecendo.
Dentre os denunciados por Carvajal, o presidente Lula. Ele incluiu em sua lista todos os líderes da esquerda da América Latina. O caso foi arquivado na Espanha por falta de provas. Depois que se considerou culpado perante a Justiça dos EUA, Carvajal não repetiu as acusações ao presidente brasileiro.
Porém, ninguém sabe exatamente o que Carvajal vai dizer ao depor no caso contra Nicolás Maduro — se isso de fato acontecer. O ex-general tem todo o interesse em reduzir a pena, como ficou claro na carta que escreveu a Trump.
Nas últimas semanas, a Casa Branca utilizou supostas ‘descobertas’ feitas pela CIA na Venezuela para voltar a falar em fraude nas eleições estadunidenses.
As denúncias foram abraçadas pelos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro.
Os documentos que a Casa Branca postou em seu site são baseados apenas em ilações.
Donald Trump corre o risco de perder as eleições de meio de mandato e pode estar se preparando para denunciar fraude, mais uma vez.
Fonte: msn.com/História de Luiz Carlos Azenha