Gaza: 4 mil crianças foram internadas com desnutrição nos últimos 2 anos
De acordo com ONG, o número é resultado da dificuldade de acesso a alimentos no território após o início do conflito com Israel/Foto: Majdi Fathi/NurPhoto via Getty Images
Um relatório da organização Médicos Sem Fronteiras, divulgado nesta quinta-feira (7/5), relata que, entre janeiro de 2024 e março de 2026, 4.950 crianças menores de 15 anos, sendo que 98% delas eram menores de 5 anos, foram internadas com desnutrição aguda em programas ambulatoriais na Faixa de Gaza.
De acordo com a ONG, o número é resultado da dificuldade de acesso a alimentos no território após o início do conflito com Israel. O relatório ressalta que, antes das ofensivas israelenses, não havia registros de desnutrição em Gaza.
O impacto da falta de alimentos também pode ser sentido nos recém-nascidos. A organização reporta que, no mesmo período, atendeu 201 mães internadas em unidades de terapia intensiva neonatal (UTINs) em dois hospitais. Mais da metade delas tinha enfrentado quadros de desnutrição em algum momento da gestação e 25% ainda estavam desnutridas no momento do parto.
O resultado foi que 90% dos bebês dessas mães nasceram prematuramente e 84% apresentaram baixo peso ao nascer. Além disso, a mortalidade neonatal foi duas vezes maior entre os bebês nascidos de mães afetadas por desnutrição em comparação com aqueles nascidos de mães sem desnutrição.
Bebês deixaram acompanhamento
Segundo o relatório, entre outubro de 2024 e dezembro de 2025, as equipes da MSF receberam 513 bebês com menos de seis meses em programas ambulatoriais de alimentação terapêutica. No entanto, 32% deles abandonaram o tratamento, principalmente devido à insegurança e ao deslocamento. Outros 48% foram curados, 7% morreram, 7% foram encaminhados para um programa para crianças maiores e alarmantes.
De acordo com a Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês), cerca de três quartos da população de Gaza enfrentaram altos níveis de insegurança alimentar aguda entre 16 de outubro e 30 de novembro de 2025. A região teve estado de fome declarado em agosto — a primeira no Oriente Médio.
Segundo a Organização das Nações Unidas, classificar fome significa que a categoria mais extrema é acionada quando três limiares críticos — privação extrema de alimentos, desnutrição aguda e mortes relacionadas à fome — são ultrapassados.
Fonte: metropoles.com/Thays Martins