Galípolo: guerra e El Niño pressionam novo corte na taxa Selic
Colegiado do Banco Central deve definir nova taxa básica de juros da economia, a Selic, em meados do próximo mês/Foto: Raphael Ribeiro/ Banco Central
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (25/5) que o Comitê de Política Monetária (Copom) acompanha os efeitos da guerra no Oriente Médio e do El Niño sobre a economia como fatores de relevância para deliberar sobre um possível corte ou não na taxa básica de juros da economia, a Selic. Integram o colegiado os diretores da instituição.
O objetivo dos diretores é compreender se as revisões nas projeções econômicas, sobretudo as relativas à inflação estão sendo afetadas “exclusivamente” pelo choque de oferta decorrente dos preços do petróleo, associado à Guerra no Oriente Médio, e ao super El Níño, que se avizinha, conforme previsões meteorológicas.
“O que a política monetária vem tentando analisar é segredar o que realmente é um elemento de oferta exclusivamente e quais são as possibilidades e riscos que existem, o que a gente chama de efeito de segunda ordem”, destacou o presidente do BC.
Os analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central para elaboração do Boletim Focus subiram, pela 11ª semana consecutiva, a estimativa de inflação 2026. Com isto, o índice esperado passo para 5,04%.
A inflação é o principal ponto acompanhado pelo Banco Central para definir a Selic. Na última reunião do Copom, nos dias 28 e 29 de abril, a Selic foi reduzida de 14,75% para 14,5%. A próxima reunião do colegiado está marcada para os dias 16 e 17 junho.
O Focus projeta uma Selic de 13,25% ao fim deste ano. Ou seja o Copom teria de retirar 1,25 ponto percentual (p.p.) da taxa nas cinco próximas reuniões deste ano. Para chegar ao resultado, se as reduções forem de 0,25 p.p. cada uma, os diretores teriam de fazer corte em todos os encontros restantes.
A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. A Selic é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.
Estabilidade financeira
Galípolo fez a apresentação do Banco Central consta no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao segundo semestre de 2025, período que compreende o início da série de liquidações associadas ao Banco Master.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em 18 de novembro de 2025, diante de uma investigação de venda de títulos falsos. O proprietário da instituição financeira, Daniel Vorcaro, está preso na Polícia Federal (PF).
Destaques do relatório
O relatório do Banco Central considera que a série de liquidações extrajudiciais das instituições financeiras do conglomerado do Banco Master não levaram a riscos para o Sistema Financeiro Nacional (SFN).
“A liquidação extrajudicial de instituições integrantes do conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no SFN. Após a liquidação, clientes ressarcidos pelo FGC direcionaram recursos, principalmente para instituições financeiras (IFs) de maior porte e de maior relevância sistêmica, em linha com o esperado em eventos de resolução bancária”, destaca publicação do BC.
De maneira geral, no relatório, o Banco Central avalia que não há risco “relevante” para a estabilidade financeira. A autoridade monetária considera que o país continua com “capitalização e liquidez confortáveis e provisões adequadas ao nível de perdas esperadas”.
“A rentabilidade do SFN permaneceu praticamente estável, demonstrando resiliência e capacidade de gerar lucros para aumentar o capital. Além disso, os testes de estresse de capital e de liquidez demonstram a robustez do sistema bancário”, detalha trecho do documento.
Fonte: metropoles.com/Deivid Souza