9 de outubro de 2026
Política

Frente evangélica de apoio a Lula diz que Flávio eleito seria “retrocesso”

Para grupo de evangélicos progressistas, Flávio Bolsonaro manipula a religião em benefício próprio e ameaça a democracia no Brasil/Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro

Uma possível vitória de Flávio Bolsonaro pode representar um retrocesso social para o Brasil. Essa é a avaliação da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito (FEDD), que acusa o candidato do Partido Liberal (PL) de manipular a religião para ganhos políticos próprios, e declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O grupo vai na contramão das igrejas e do eleitorado evangélico, que têm demonstrado preferência pela candidatura do filho 01 de Jair Bolsonaro.

“Flávio Bolsonaro manipula a religião a favor de sua candidatura de forma escancarada, por isso decidimos tomar uma posição e apoiar a manutenção do atual governo, liderado por Lula”, afirma o pastor Ariovaldo Ramos, um dos coordenadores do grupo de evangélicos, em entrevista ao Metrópoles. “A possível vitória de Flávio é um retrocesso civilizatório”.

A manifestação da frente evangélica surgiu após o candidato do PL falar em usar a influência que a direita ganhou no Congresso para mudar a Constituição Federal com o objetivo de “redemocratizar” o Brasil — que já vive em um regime democrático desde o fim da ditadura militar em 1985.

A declaração de Flávio ocorreu em Goiânia, no início da semana, durante um ato em que recebeu o apoio do candidato do PSD à Presidência, o ex-governador goiano Ronaldo Caiado, e do governador reeleito do estado, Daniel Vilela (MDB). Inicialmente, ele não deu detalhes sobre quais mudanças constitucionais ocorreriam.

A fala repercutiu e ele depois detalhou quais seriam as propostas de revisão constitucional: sobre maioridade penal e fim da reeleição.

De toda forma, os apoiadores de Lula viram a manifestação com temor. Foi o caso da frente evangélica que apoia a esquerda há um tempo.

Criada em 2016 em meio ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, o movimento político e social busca se distanciar dos valores e políticas defendidos Frente Parlamentar Evangélica (FPE) no Congresso Nacional.

Entre as pautas do grupo, alinhado ao campo progressista, estão a defesa da democracia e dos direitos humanos, justiça social, proteção às minorias, o fortalecimento de políticas públicas, além da separação entre religião e política por meio de atuação pedagógica.

Diante do cenário que se desenhou para o segundo turno das eleições, a Frente de Evangélicos pelo Estado diz buscar a conscientização de evangélicos que estão no grupo de mais de 33 milhões de brasileiros que não votaram no primeiro turno do pleito.

Segundo turno

  • O segundo turno das eleições acontece no próximo dia 25 de outubro.
  • Flávio Bolsonaro venceu o primeiro turno e foi o candidato escolhido por 47,03% dos eleitores.
  • Lula, por sua vez, terminou a votação com 45,16% dos votos válidos.
  • A diferença de votos entre os dois candidatos foi de 2.224.965 mil votos.
  • Mais de 33 milhões de brasileiros não votaram no primeiro turno.

PT também mira eleitorado evangélico

A estratégia da FEDD também está sendo adotada, em certa parte, pela campanha do petista. Conforma apurou o Metrópoles, o Partido dos Trabalhadores (PT) busca o eleitorado evangélicos que votou em Augusto Cury (Avante) no último domingo (4/10). O escritor recebeu, ao todo, 2,89% dos votos válidos.

Nessa quinta (8/10), no entanto, Cury declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Ele, inclusive, gravou vídeo a favor do ex-adversário de 1º turno.

Ainda assim, na avaliação do núcleo da campanha petista, parte desses eleitores pode migrar para Lula na reta final. Por não terem optado nem pelo petista nem por Flávio no primeiro turno, eles são vistos com potencial para ampliar a votação do presidente.

Ao longo da corrida presidencial, o atual líder do Brasil fez acenos aos evangélicos, apesar da resistência que enfrenta no segmento e da vantagem consolidada de Flávio. O último deles aconteceu nessa quarta-feira (8/10), durante plenária com jovens congressistas do PT e de partidos aliados.

No evento em Brasília, Lula destacou a influência das igrejas evangélicas entre a população mais pobre, e relacionou a atuação dessas igrejas à busca por emprego, melhora de vida e esperança.

O encontro também foi usado para discutir estratégias para ampliar a presença do presidente nas redes sociais. Durante a reunião, Lula relatou o exemplo de uma pessoa que, diante de dificuldades financeiras, procura uma igreja evangélica em busca de respostas.

Segundo o presidente, a mensagem de prosperidade apresentada por parte dessas igrejas pode devolver esperança ao fiel.

“O cara fala: ‘Porra, finalmente encontrei alguém que me dá um ânimo aqui. Eu posso ser alguma coisa’”, relatou.

O movimento surge em meio a redução da diferença entre Lula e Flávio no eleitorado evangélico. Embora o candidato do PL tenha mantido vantagem nas pesquisas divulgadas antes do primeiro turno, o petista saltou de 23% para 27% nas intenções de voto entre evangélicos no levantamento divulgado pela Quaest em 28 de setembro.

No mesmo dia, a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 31% dos votos entre evangélicos, contra 50% do presidenciável pelo PL.

Fonte: metropoles.com/Junio Silva, Álvaro Luiz

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