20 de outubro de 2026
Mundo

França, Espanha, Itália: protestos em massa se espalham pela Europa

Protestos europeus foram marcados por confrontos entre civis e policiais e reivindicações por custo de vida e educação em diversos países/Foto: Georgios Kostomitsopoulos/NurPhoto via Getty Images

Protestos massivos liderados por jovens foram realizados em diversos países da Europa na última semana. Foram registradas manifestações na França, Itália, Espanha, Albânia, Bélgica e Portugal, com cobranças desde melhorias na educação até cobranças por alto custo de vida e moradia.

França

Na França, mais de 500 mil pessoas foram às ruas no último fim de semana. Atos foram registrados em diversas cidades, sendo que só em Paris, capital, mais de 110 mil pessoas se reuniram.

As reivindicações francesas começaram no mês passado, com o movimento estudantil cobrando melhorias no sistema educacional francês. Os atos se espalharam e passaram a abranger em outubro diversos setores da sociedade francesas, que protestaram contra o alto custo de vida e o governo de Emmanuel Macron.

O balanço do governo francês dá conta que, somente no sábado e domingo (17 e 18 de outubro), mais de 2 mil pessoas foram presas, 600 policiais feridos e um jovem morreu após sofrer uma parada cardíaca em Paris. Os atos acabaram gerando uma onda de violência e saques, que, segundo o ministro do Interior Laurent Nuñez, afetou mais de 3 mil empresas.

O país anunciou um toque de recolher a partir desta segunda para alguns municípios, e não descarta declarar estado de emergência nacional.

Espanha

Já na Espanha, os atos iniciaram pautados por aumento do custo habitacional e maior controle de aluguéis em setembro, e foram impulsionados pelo caso de Maricarmen Abascal – uma mulher de 87 anos que foi retirada à força de seu apartamento em Madrid depois de não conseguir pagar o aluguel.

Maricarmen viveu por 70 anos no apartamento. Seu prédio foi comprado, há seis anos, por uma empresa privada, que tentava retirá-la de casa. A empresa aumentou o aluguel em 275% recentemente, o que fez com que a mulher não conseguisse arcar com o valor.

Os protestos fizeram com que fosse costurado um acordo que permitia a volta de Maricarmen ao apartamento. Ela morreu no início do mês, por causas não divulgadas.

Os atos espanhóis não ficaram restritos ao tema moradia, e também cobraram melhorias na educação. Entre terça e quarta-feira (13 e 14 de outubro), estudantes e professores se manifestaram em frente ao campus da Universidade Complutense de Madrid, cobrando mais verba destinada à deucação e incentivando uma greve do setor.

Atualmente, os professores espanhóis estão de greve por tempo indeterminado, cobrando aumentos salariais, maiores equipes e uma diminuição do número de estudantes por sala, para melhorar as condições de ensino.

Nesta segunda, manifestantes ocuparam a Câmara de Comércio de Madrid, onde estava a presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, e se reuniram na frente do Ministério da Educação. A Polícia Nacional espanhola entrou em confronto com os manifestantes e dispersou a multidão.

Itália

Na Itália, manifestantes se reuniram para atos em Milão, Bolonha, Bréscia, Bérgamo e Turim nesse sábado e domingo  segundo a polícia.

Os atos contra a precarização dos serviços públicos e aumento do custo de vida descambaram em confronto entre os manifestantes e a polícia no domingo (18/10), em Milão.

Confira:

Manifestantes quebraram vitrines e iniciaram incêndio na rua. A polícia utilizou cassetetes, gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar os presentes.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que compreende os atos e tem respeito pelas pessoas que se manifestaram pacificamente, “independentemente das ideias”, mas condenou os atos que resultaram em violência.

“Manifestar é um direito. Colocar nossas cidades a ferro e fogo não é”, disse a premiê.

Albânia

Na Albânia, protestos começaram na terça-feira (13/10) e seguiram por toda a semana, com estudantes que exigiram a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama.

Os atos cobraram melhorias nas condições das universidades e custo da educação no país. Na quarta-feira (14/10), manifestantes queimaram o Ministério da Educação do país.

Em alguns atos, albaneses incendiaram lixeiras e entraram em confronto com a polícia, que disparou balas de borracha e usou canhões de água para dispersar os grupos.

Bélgica

Na Bélgica, atos foram registrados em Bruxelas e Liège, inclusive com confronto de manifestantes contra a polícia.

Os protestos belgas se inspiraram nos atos da França, e estudantes de ensino médio cobraram uma redução no custo da educação e reformas que dificultariam o acesso a universidades.

O ministro do Interior belga, Bernard Quintin, afirmou que os atos já não são “apenas um protesto”, e sim “violência pura e simples”.

Portugal

Os protestos portugueses foram motivados em grande parte por uma aprovação no parlamento de Portugal, no final de setembro, de uma reforma do mercado imobiliário que facilita os despejos de inquilinos e acaba com o controle de valores cobrados em contratos novos.

Nas cidades de Porto e de Lisboa, manifestantes acampam em praça pública.

Em Porto, cerca de 200 manifestantes permanessem acampados na Praça D. João I, mesmo após a polícia local ter ordenado a retirada do acampamento, segundo o jornal português Publico.

Já em Lisboa, a concentração é feita na Praça do Rossio, onde centenas de manifestantes se recusam a deixar o acampamento mesmo com a polícia ordenando.

Os protestos portugueses foram motivados em grande parte por uma aprovação no parlamento de Portugal, no final de setembro, de uma reforma do mercado imobiliário que facilita os despejos de inquilinos e acaba com o controle de valores cobrados em contratos novos.

Fonte: metropoles.com/Pedro Areal


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