13 de outubro de 2026
PolíciaPolítica

Ex-assessor de deputado surge “com sede” de propinas e MPE aponta repasse de R$ 290 mil

Reforma de hospital custou R$ 8,5 milhões: ex-assessor de Dagoberto cobrava propina a cada repasse feito por Itaipu (Foto: Arquivo/Leone Marcos/Região News)

Ex-assessor do deputado federal Dagoberto Nogueira (PP), Sérgio Roberto Castilho Vieira, o Serginho, é um dos alvos da Operação Dirty Pix, deflagrada para apurar o desvio de R$ 18 milhões do hospital em Sidrolândia. Conforme investigação do Ministério Público Estadual, logo após o repasse de R$ 8,5 milhões pela Itaipu Binacional para a reforma do hospital, ele entrava em contato com o presidente da instituição, Jacob Meeuwis Breure, para cobrar propinas.

Nas conversas, Serginho usava códigos cifrados para avisar a liberação do dinheiro, como “a previsão é 8 graus na segunda”, e para cobrar propina, como “tô com sede”. Na petição encaminhada à juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, o GECOC (Grupo Especial de Combate à Corrupção), cita o pagamento de R$ 290 mil em agosto de 2024, logo após a liberação da primeira parcela, de R$ 1,714 milhão.

Serginho foi assessor de Dagoberto por muitos anos. No Portal da Câmara dos Deputados, ele constou como assessor parlamentar o pepista entre dezembro de 2016 e 2021. Nas eleições deste ano, Serginho doou R$ 25 mil para a campanha pela reeleição de Dagoberto, só ficando atrás da direção nacional do PP (R$ 2,6 milhões) e do próprio deputado (R$ 310 mil).

O MPE aponta que houve pagamento em espécie em novembro e dezembro de 2024, mas os promotores Adriano Lobo Viana de Resende, Humberto Lapa Ferri e Bianka Mendes não souberam apontar o valor. Para tentar descobrir o montante pago, eles solicitaram a quebra dos sigilos bancários dos envolvidos no esquema criminoso que sangrou os cofres do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, de Sidrolândia.

8 graus, tô com sede, os códigos da propina

Logo após o hospital firmar o convênio para a liberação de R$ 8,5 milhões com a Itaipu, Sérgio Vieira entra em contato com Jacob Breure para avisar do pagamento da primeira parcela. Ele usa a previsão do tempo para avisar o dirigente.

“Em mensagem encaminhada a Jacob no dia 24 de agosto de 2024, Serginho usa a seguinte frase ‘previsão é de 8 graus segunda’, em referência a expectativa de liberação, na segunda-feira seguinte, da liberação do valor ao Hospital”, relataram.

Serginho usa previsão do tempo para falar de “8 graus” e MPE interpretou que era para falar da liberação do dinheiro, que caiu na segunda (Foto: Reprodução)

Dois dias depois, Serginho procura Jacob e faz o questionamento sem rodeios: “Não vai avisar que tá com a grana?”, questiona. “Kkkkkk. Tha com sede. Né”, reagiu o dirigente do hospital. De acordo com o MPE, houve o pagamento da primeira parcela, de R$ 1,7 milhão, conforme o diálogo entre Breure e o engenheiro civil Lucas Marques Nunes, da Bálsamo Engenharia e Construtora.

“Tô com sede” e, logo em seguida: “Não bebo água faz tempo”, responde Serginho. No dia 3 de setembro de 2024, eles acertam o pagamento de R$ 290 mil para Serginho. Ele recebeu por meio de duas notas fiscais. A primeira, no valor de R$ 210 mil, e a segunda, no valor de R$ 80 mil. Uma foi emitida pelo hospital, que simulou o pagamento de um projeto arquitetônico. A outra foi pela Global Produtos Agropecuárias, de Jacob Breure.

O pagamento é acertado por meio de notas fiscais (Foto: Reprodução)

“A estratégia permitia dificultar a identificação do real destinatário dos recursos. Ou seja, mediante a emissão de notas fiscais frias, Jacob conseguia conferir aparência de regularidade a transferências que, na realidade, destinavam-se à remuneração dos agentes envolvidos no esquema investigado”, destacou o MPE..

Dinheiro em espécie

“Com a progressiva liberação dos recursos destinados à reforma do Hospital Dona Elmíria, tanto pela Itaipu Binacional quanto pela Prefeitura de Sidrolândia, passaram a surgir sucessivas cobranças realizadas por Sergio Roberto Castilho Vieira, vulgo Serginho, acerca dos valores que deveriam ser lhe repassados dentro do esquema”, apontaram os promotores.

Sérgio Roberto Castilho Vieira foi superintendente da Funasa e dirigente do PDT, quando Dagoberto era do partido (Foto: Reprodução)

“As cobranças e encontros presenciais entre Sergio Roberto Castilho Vieira e Jacob Breure continuaram em 2024, a exemplo do dia 18 de dezembro desse ano, Serginho voltou a entrar em contato com Jacob para combinar novo encontro presencial, questionando: ‘Posso ir que horas, hoje no final do dia?’. Jacob responde ‘Deixa eu trocar’ e pouco depois, procurou tranquilizá-lo: ‘Te aviso. Vai dar certo’”, relataram os promotores.

Em um dos diálogos, o dirigente do hospital tranquiliza Serginho de que vai cumprir o acordo. “Te acalma o coração. Saindo ainda”, afirmou. Em outro diálogo, Serginho diz que “não podemos deixar de fazer oi segundo aniversário”, sobre o novo encontro.

Apesar de apontar que houve pagamento de propina ao ex-assessor do deputado, os promotores não conseguiram identificar o montante pago.

Serginho foi um dos alvos da Operação Dirty Pix. Apesar dele aparecer nas conversas como assessor de Dagoberto, O Jacaré optou pelo termo “ex-assessor” porque ele não aparece mais como assessor parlamentar no portal da Câmara dos Deputados.

Em uma das cobranças, Breure pede para Serginho “acalmar o coração” (Foto: Reprodução)

O Jacaré procurou Serginho e o deputado federal Dagoberto Nogueira, mas não houve retorno até o momento. Assim que houver manifestação, a versão de ambos será publicada. Também tentou contato com o advogado Wellison Muchiutti, de Jacob Breure, mas também não houve retorno.

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt


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