5 de agosto de 2026
Mundo

EUA diz que Brasil cria “obstáculos” para embaixador nomeado por Trump

Departamento de Estado dos EUA acusa Brasil de atrasar o aval para Daniel Perez e de dificultar a atuação diplomática dos EUA em Brasília/Reprodução

governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de criar obstáculos para a efetivação do novo embaixador norte-americano em Brasília, Daniel Perez (foto em destaque). Ele foi indicado por Donald Trump para assumir o posto, no dia 1º de junho, mas, até o momento, não foi admitido para o cargo e segue aguardando a concessão do agrément – ou aval, no jargão diplomático – por parte do governo brasileiro.

Em manifestação enviada ao Metrópoles, após o anúncio da revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, nesta terça-feira (4/8), o Departamento de Estado norte-americano diz ter mantido comunicação com o governo brasileiro durante semanas e dado “todas as oportunidades” para que Brasília concedesse o aval diplomático necessário.

“Mantivemos contato constante com o governo brasileiro durante semanas e demos a ele todas as oportunidades para agir corretamente; no entanto, o governo tem continuamente postergado decisões e criado obstáculos”, declarou um porta-voz do órgão diplomático dos EUA.

A decisão de revogar o visto de Maria Luiza Viotti não foi comunicada previamente ao Itamaraty, conforme apurou o Metrópoles.

Para Washington, as duas situações estão diretamente relacionadas: o Brasil ainda não concedeu o chamado agrément para Perez, enquanto os Estados Unidos decidiram retirar o visto de Viotti.

Brasil ainda não autorizou novo embaixador

  • Daniel Perez foi indicado por Trump em junho para assumir a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
  • Há cerca de duas semanas, o nome dele recebeu o aval de uma comissão do Senado norte-americano, mas ainda precisa ser aprovado pelo plenário da Casa.
  • Antes que um embaixador assuma o posto em outro país, é necessário que o governo que irá recebê-lo conceda autorização diplomática.
  • Esse procedimento é conhecido como agrément.
  • Segundo o Departamento de Estado, o Brasil ainda não deu essa autorização. Washington afirma que autoridades brasileiras indicaram que o aval somente deverá ser concedido após as eleições presidenciais brasileiras, marcadas para outubro.
  • O governo norte-americano considera que a demora criou um obstáculo para a instalação de seu novo representante diplomático no país.

Ainda de acordo com o Departamento de Estado, o documento da embaixadora poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o aval diplomático para o novo embaixador norte-americano.

A pasta esclareceu que a revogação não significa a expulsão de Viotti. A diplomata poderá permanecer nos Estados Unidos, mas sem um visto válido.

Ainda na nota enviada ao Metrópoles, Washington também defendeu o direito de Trump de escolher os representantes diplomáticos dos Estados Unidos.

“O presidente Trump tem o direito de determinar quem representa o povo e os interesses americanos ao redor do mundo”, afirmou o Departamento de Estado.

“Brasil interfere em processo interno”

O governo norte-americano também acusou países estrangeiros de tentar interferir em seus processos internos.

A declaração ocorre no contexto da resistência brasileira à nomeação de Perez e das recentes divergências entre os dois governos.

“Rejeitamos qualquer tentativa de países estrangeiros de interferir em nossos processos internos”, afirmou a pasta.

A pasta disse ainda que Trump está formando uma equipe diplomática alinhada à política “America First”, com as indicações submetidas ao parecer e consentimento do Senado.

Impasse ocorre em meio à crise entre países

O episódio é mais um capítulo da deterioração da relação entre Brasília e Washington. A revogação do visto de Viotti ocorreu apenas 10 dias depois de o Brasil negar vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que planejavam viajar ao país.

Riley M. Barnes e Samuel Samson foram citados pelo Washington Post em uma reportagem sobre uma estratégia de autoridades norte-americanas para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

O Departamento de Estado negou que a missão tivesse como objetivo interferir nas eleições e afirmou que a viagem pretendia discutir “integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão” com autoridades brasileiras e representantes da sociedade civil.

Fonte: metropoles.com/Manuela de Moura

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