Empresa tem “lucro” de R$ 3,2 milhões para deixar postos sem funcionários de limpeza

Reunião do conselho de saúde (Foto: O Jacaré)

Contratada pela Prefeitura de Campo Grande desde 2020 para fazer a limpeza das unidades de saúde de Campo Grande, a empresa Produserv Serviços tem “lucro indevido” de R$ 3,2 milhões por ano ao não suprir a falta de 83 funcionários responsáveis pela limpeza das unidades de saúde. O valor representa quase 10% dos R$ 34,4 milhões pagos por ano pelo município à prestadora de serviço.

A gestão de Adriane Lopes (PP) não fiscaliza e o prejuízo é sentido pela população. Além da falta de remédios, médicos e estrutura para realização de exames, a rede pública de saúde sofre com a precariedade na limpeza e higiene.

A denúncia é do Conselho Municipal de Saúde, que elaborou um relatório de 66 páginas com itens do contrato firmado com a prefeitura que a Produserv deixa de cumprir. O mais grave é a falta de mão de obra e condições trabalhistas precárias oferecidas aos trabalhadores.

O Conselho aponta déficit preliminar de 83 trabalhadores da limpeza em unidades de saúde de Campo Grande. Considerando que a Produserv paga um salário mínimo aos funcionários (R$ 1.621), auxílio alimentação de R$ 530; vale-transporte estimado com tarifa de R$ 4,95 e 44 passagens/mês, descontada participação legal de até 6% do salário.

A estimativa preliminar do impacto do déficit é de R$ 3.279,89 por cada funcionário ao mês. Considerando o valor multiplicado por 83, são R$ 272.230,87 que a empresa deixa de investir por mês, chegando a projeção anual aproximada de R$ 3.266.770,44.

Fora isso, o levantamento mostra que a Produserv deixa faltar itens básicos para a higienização dos ambientes, segurança sanitária, proteção dos usuários e trabalhadores e funcionamento adequado dos serviços de saúde, como papel higiênico, papel toalha, sabonete líquido, sacos de lixo, desinfetante e outros produtos de limpeza.

Os trabalhadores contratados pela Produserv também alegam que não têm férias há anos e temem ser demitidos. Presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, afirma que o contrato com a Produserv é o exemplo de que a gestão de Adriane Lopes (PP) não consegue fiscalizar os contratos que possui.

“A prefeitura alega que terceirizar é mais eficiente, transparente e econômico, mas nesse contrato vemos o contrário. O serviço é caro, incompleto e sem transparência nenhuma. Não há condições de ampliar isso para a terceirização completa de unidades de saúde”, defende Jader.

O relatório foi apresentado em reunião do conselho de saúde na quarta-feira (29), e aos vereadores na terça-feira (28). O vereador Maicon Nogueira acompanha a situação da Produserv e afirma que falta eficácia e sobra prevaricação na prefeitura em relação a fiscalização do contrato.

Fonte: ojacare.com.br/By Priscilla Peres

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