Empresa de ex-vereador condenado vende produtos a prestadora de serviços nos postos

Saraiva e a prefeita durante a campanha para vereador em 2022 (Foto: Arquivo)

A empresa do ex-vereador José Airton Saraiva (Avante), condenado por improbidade administrativa na Operação Coffee Break, é uma das fornecedoras da Produserv Serviços, responsável pela limpeza e higienização das unidades de saúde de Campo Grande. O Conselho Municipal de Saúde acusa a empresa de receber R$ 36,7 milhões, mas prestar serviço de péssima qualidade, com a falta de produtos e até funcionários.

Conforme a denúncia, a Produserv deixou de fornecer 83 funcionários nos postos de saúde e causou prejuízo de R$ 3,2 milhões aos cofres públicos. Além disso, apesar da saúde exigir limpeza para evitar a proliferação de bactérias, vírus e doenças, a prestadora de serviços não cumpre o contrato.

De acordo com o relatório do Conselho Municipal de Saúde, apesar de não cumprir o contrato, a empresa é uma das poucas a receber em dia da gestão de Adriane Lopes (PP). A prefeita tem dado calote na maior parte dos fornecedores, mas não tem atrasado o pagamento para a Produserv.

“Além dos indícios de falhas na execução contratual já apontados neste relatório, chama atenção a aparente regularidade dos pagamentos efetuados à empresa Produserv, conforme informações disponíveis no Portal da Transparência do Município de Campo Grande”, apontou relatório do conselho.

Precariedade e ausência de produtos

Vistoria apontou falta de estrutura na limpeza dos postos de saúde (Foto: Reprodução)

“Os checklists indicam ausência recorrente de enceradeira, discos/insumos, máquina de jato/pressão, carro cuba 400L com tampa e kit lavador/limpador de vidro. A falta desses itens impede a execução de rotinas previstas e deve ser tratada como possível inexecução parcial do objeto, não como mera falha acessória”, revelou vistoria.

“Foi observado em praticamente todas as unidades visitadas que os pisos apresentavam aspecto encardido. Trabalhadores relataram que a enceradeira não permanece nas unidades e que sua utilização nas USFs ocorre uma ou duas vezes ao ano. Isso é incompatível com a previsão de discos semanais e com a lógica de manutenção regular de pisos”, constataram os conselheiros.

“Os checklists registram falta ou insuficiência de papel higiênico, papel toalha, sabonete líquido, desinfetante, álcool, produtos de limpeza e sacos de lixo. Profissionais relataram demora mínima de cerca de 15 dias para reposição. Esse prazo é incompatível com o estoque mínimo de 30 dias previsto no edital e com a natureza contínua de unidade de saúde”, apontou o relatório assinado pelo coordenador da mesa diretora do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos.

“Além disso, apesar de o edital prever papel higiênico folha dupla, os registros fotográficos e relatos colhidos nas unidades visitadas indicam fornecimento de papel higiênico folha simples nas unidades vistoriadas”, apontou.

NF aponta que a Clarear, empresa de Saraiva, fornece produtos para a Produserv (Foto: Reprodução)

Empresa de ex-vereador

Uma das empresas responsáveis por fornecer produtos para Produserv Serviços é a Clarear Comercial Ltda, do ex-vereador de Campo Grande, José Airton Saraiva. Em 2022, ele foi candidato com o apoio de Adriane, mas não se elegeu.

Conforme a Nota Fiscal, de novembro do ano passado, a empresa de Saraiva vendeu para a Produserv desde detergente, sacos de lixo, sabonete líquido e até papel higiênico de folha simples (apesar do contrato prever folha dupla), entre outros itens.

Saraiva foi condenado pelo juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, por improbidade administrativa a suspensão dos direitos políticos por oito anos, indenização por danos morais no valor de R$ 150 mil e ainda foi proibido de contratar com o poder público pelo período de oito anos. Saraiva foi condenado por ter atuado no golpe para cassar o mandato do prefeito Alcide Bernal (PP) em março de 2014.

O Jacaré procurou a prefeitura sobre o relatório do Conselho Municipal de Saúde, mas não teve retorno até o momento sobre o pagamento e a má prestação de serviço pela Produserv.

Contrato prevê poda de grama a cada 15 dias, mas serviço estaria sendo executado a cada quatro meses, segundo denúncia (Foto: Reprodução)

Fonte: ojacare.com.br/By Edivaldo Bitencourt

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