Diante do risco de dobradinha raiz com Pollon e Contar, Reinaldo ignora bilhete de Bolsonaro
Pollon diz que cumprirá missão de Bolsonaro e Capitão Contar diz que respeita manifestação de ex-presidente (Foto: Arquivo)
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode optar por uma dobradinha de bolsonaristas raiz na disputa ao Senado, com o ex-deputado Capitão Contar e o deputado federal Marcos Pollon. No sábado, ele anunciou, por meio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o apoio ao parlamentar. Diante do risco de ser excluído da chapa dos sonhos, o ex-governador Reinaldo Azambuja ignorou o bilhete.
“O nome do Pollon está na lista, o nome da Gianni (Nogueira) está na lista. Mas as convenções partidárias são só em julho e agosto”, afirmou o presidente regional do PL em entrevista ao Campo Grande News.
Alvo de denúncia no Superior Tribunal de Justiça por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, Reinaldo corre o risco de ser excluído da disputa por Bolsonaro. Um dos supostos pilares do bolsonarismo é o combate à corrupção. O ex-tucano é acusado de ter recebido R$ 67,7 milhões em propina da JBS.
Bolsonaro quer definir uma chapa de candidatos que tenham chances de ser eleitos e votem a favor do impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal. O ex-governador pode precisar da suprema corte no futuro para se livrar da denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República em 15 de outubro de 2020.
Inicialmente, o PL definiu que os candidato a senador seriam Reinaldo e Capitão Contar. Os dois deixarem, respectivamente, o PSDB e o PRTB para se filiar ao PL. No entanto, com a missão de definir a lista de candidatos ao Senado pelo seu partido, de dentro da cadeia na Papudinha, Bolsonaro surpreendeu a anunciar o primeiro nome que não estava previsto no acordo.
O anúncio ocorreu na mesma semana em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) fez anotações nas quais Pollon exigia R$ 15 milhões para não ser candidato a senador ou governador. A vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, teria exigido R$ 5 milhões.
Repercussão
O anúncio de Bolsonaro deverá impulsionar o nome de Pollon nas pesquisas, critério a ser utilizado para definir os dois candidatos do partido no Estado. Enquanto Reinaldo ignorou o bilhete, o outro postulante, Capitão Contar, afirmou que a manifestação é importante.
“Tenho dito que recebi com respeito a manifestação do presidente Bolsonaro. O PL é um partido forte e é natural que novos nomes se somem ao projeto”, afirmou. “Desde o final de 2022, iniciei uma construção mútua e transparente com o presidente Bolsonaro e foi crescendo com a cúpula nacional do partido, fundamentada em muito diálogo e compromisso com o Estado”, explicou o ex-deputado.
“De lá para cá, outros nomes também se apresentaram, o que é natural e legítimo. Nosso objetivo comum é garantir que MS eleja senadores alinhados aos nossos valores e que ajudem a formar uma maioria corajosa e comprometida com os anseios da população brasileira e com Constituição no Senado”, destacou Capitão Contar.
“O partido sempre deixou claro que a definição levará em conta viabilidade e a melhor estratégia para assegurar essa representação. Eu sigo tranquilo, confiante e focado em continuar construindo esse caminho com maturidade”, afirmou.
Nas redes sociais, Pollon festejou a indicação e frisou que está pronto para cumprir a missão de Bolsonaro.
Ao antecipar o nome de Pollon, Bolsonaro torna pública uma dobradinha ventilada entre os bolsonaristas. Há no partido, uma corrente que planeja ignorar Reinaldo e fazer campanha para eleger Pollon e Capitão Contar. O bilhete de Bolsonaro promoveu uma mudança importante, Pollon não deve deixar o partido para buscar a candidatura por outro partido.
O desafio de Reinaldo será comandar uma convenção de rebeldes em agosto, onde os bolsonaristas poderão vetar seu nome para aprovar os nomes indicados por Bolsonaro. O prazo para trocar de partido termina no início do próximo mês.

Fonte: ojacare.com.br//By Edivaldo Bitencourt