“Decepção”, diz Alessandro Vieira sobre Zanin rejeitar CPI do Master
Comissão serviria para seria para investigar possíveis relações entre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro/Pedro França/Agência Senado
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) criticou, nesta quarta-feira (23/9), a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master.
Para o parlamentar, a decisão é uma “decepção”, mas não encerra a discussão sobre a omissão do Senado na instalação do colegiado.
“A decisão do ministro Zanin é uma decepção, como aliás tem sido decepcionante a atuação do STF em geral. Sob ponto de vista formal, vamos juntar ainda mais informações e pedir que o ministro revise seu entendimento”, afirmou Vieira.
A CPI seria destinada a investigar possíveis relações entre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo, e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Alessandro Vieira acionou o STF contra a suposta omissão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em relação ao requerimento de CPI protocolado em 9 de março de 2026.
Cristiano Zanin, no entanto, entendeu que não ficou comprovada devidamente comprovada uma omissão do congressista. Segundo o parlamentar, o pedido não esclareceu como ocorreu a tramitação nem qual foi a atuação de Alcolumbre diante de um conjunto de requerimentos relacionados ao Master.
O senador contestou o entendimento de que seria necessário considerar outros requerimentos para avaliar a demora na instalação da comissão.
“Sob ponto de vista prático, a omissão de Davi Alcolumbre está na categoria dos fatos notórios, aqueles que nem precisam ser provados diante da sua intensa obviedade”, disse Vieira.
Seis meses de espera
O pedido chegou ao STF depois de quase seis meses sem que o requerimento fosse lido no Senado. Alessandro Vieira afirmou, na ação enviada à Corte, que a CPI foi protocolada em 9 de março e que Alcolumbre não determinou a leitura, a numeração ou a publicação do texto.
A comissão proposta por Alessandro Vieira teria 11 titulares e seis suplentes, prazo de 120 dias e limite de R$ 50 mil em despesas. O objetivo seria apurar eventuais relações pessoais, financeiras ou de outra natureza entre Moraes, Toffoli, Vorcaro e pessoas ligadas ao Banco Master.
O parlamentar afirmou que o caso envolve a credibilidade das instituições democráticas.
“Por fim, olhando o aspecto institucional, essa permanente tentativa de empurrar os escândalos para debaixo do tapete vai acabando com a pouca credibilidade que a Justiça ainda tem, se é que ainda restou alguma”, ressaltou.